Lenin mostrou que, no fim do século XIX, seguindo a lógica do capitalismo – promover o lucro e o enriquecimento dos capitalistas –, a nova oligarquia financeira da Europa, principalmente da Inglaterra, vislumbrou abarcar novas fontes de matérias-primas e novos mercados fora da Europa a fim de obter mais lucros. Em pouco tempo, isso levou a um acirramento do confronto entre os grandes monopólios pelos recursos econômicos e, mais tarde, pelas demandas mundiais criadas pelo capitalismo globalizado. Como resultado, perpetrou-se uma partilha do mundo entre as associações de capitalistas, o que gerou uma política de conquista das terras ‘não ocupadas’ (colônias) – a corrida foi tal que, em 1916, não havia mais, no mundo, nenhum território ‘não ocupado’.
Isso estabeleceu, conforme a análise de Lenin, novas relações sociais de produção – a luta de classes elevou-se ao âmbito global e transformou-se na luta dos povos dos países colonizados (empobrecidos ou ‘subdesenvolvidos’) contra os imperialistas.
Mas, essa luta de classe, que tem por objetivo a extinção do imperialismo, implica na união das nações colonizadas em sua luta contra o imperialismo, enquanto a extinção do imperialismo implica também na extinção do próprio capitalismo, visto que as relações sociais estabelecidas pelo capitalismo globalizado, que permitem a extração do lucro nessa fase avançada do capitalismo, deixam também de existir. Por isso, as potências imperialistas, comandadas pelas elites capitalistas, coludem em suas políticas em relação aos países dominados com o objetivo de evitar sua união. Essa é a lógica perversa do sistema de relações internacionais, que condena bilhões de pessoas à miséria, à violencia e à morte pelos privilégios da pequena e criminosa elite capitalista.
Entretanto, o sistema capitalista contem muitas contradições. Como o brilhante trabalho de Marx mostrou, trata-se de um sistema onde a acumulação das riquezas tende a ser concentrada cada vez mais em poucas mãos. Isso também se aplica às nações imperialistas, onde se observa confrontos e rivalidades com o objetivo de estabelecer impérios. Tais confrontos levaram milhões de seres humanos, no século passado, a lutar e morrer em duas Guerras Mundiais onde os únicos beneficiários foram os ricos capitalistas.
Desde a Segunda Guerra Mundial, o império dos EEUU se estabeleceu como a maior potência mundial comandando uma hierarquia de nações, isto é, uma hierarquia onde as elites capitalistas de outras nações imperialistas estariam sob a ‘proteção’ da elite dos EEUU, apoiando suas iniciativas. O objetivo de tal ‘ordem mundial’ seria manter a relação social de exploração no sistema globalizado, ou seja, manter as colônias em sua condição de subordinação.
Embora tal ‘ordem mundial’ tenha dado resultados por algum tempo, a lógica da concentração do capital não coopera com a idéia de permanência desse esquema. Os capitalistas dos EEUU enriqueceram muito mais do que os de todas as outras nações, enquanto os níveis de miséria nos países explorados atingem hoje níveis nunca vistos na história da humanidade. Para completar o quadro de contradições, as crises inerentes ao capitalismo nunca foram eliminadas e, hoje, atingem um nível de complexidade impossível de ser manejado.
Como resultado, todos os povos do mundo, incluindo os dos países imperialistas, encontram-se hoje ameaçados pela continuada existência de um sistema econômico-social incontrolável e destruidor. Em meio à grave crise atual, os povos das nações imperialistas estão tendo que pagar o alto preço da luta de classe global que se aguça a cada dia, enquanto aumentam a destruição e os crimes contra os povos colonizados a fim de manter sua condição subalterna e sua exploração. Tudo em nome do capital, dos privilégios da pequena elite dona do mundo.
Mas, o crescendo de contradições do capitalismo está levando os povos do mundo à conscientização da necessidade de superá-lo, substituindo-o por outro sistema econômico onde a lógica da acumulação capitalista seja substituída pela lógica do bem-estar social e da dignidade do ser humano - afinal, a história continua sua caminhada.
O artigo abaixo levanta os enormes custos da loucura imperialista para barrar o caminhar da história, e analisa a situação da Itália, uma potência de segunda ordem onde o alto custo de sua cooperação com a ‘ordem mundial’ vigente, embora inquestionável para sua elite corrupta, está começando a dar sinais de exaustão:
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O que nos custa a liberdade da OTAN Manlio Dinucci, REDE VOLTAIRE, Roma (Itália) | 31 de março de 2014 A liberdade tem o seu preço. E também o tem a submissão voluntária. O preço da submissão aos Estados Unidos e às suas aventuras militares é particularmente alto: para a Itália, 56 milhões de euros por dia. Para a França, 117 milhões de euros diários. «A situação na Ucrânia recorda-nos que a nossa liberdade não é gratuita e que temos que estar dispostos a pagar.» Isso nos recordou o presidente Obama, tanto em Roma como em Bruxelas, ao expressar a sua preocupação pelo fato de que alguns membros da OTAN queiram diminuir os seus gastos militares. Obama anunciou que os Ministros dos Negócios Estrangeiros dos países da OTAN se reunirão na próxima semana em Bruxelas para reforçar a presença da aliança atlântica no leste da Europa e modernizar as suas forças militares. É claro que isso exigirá, naturalmente, mais dinheiro. Assim, já estamos avisados. A quanto se eleva o gasto militar da Itália? Segundo os dados do SIPRI, o famoso Instituto Internacional [de Estudos para a Paz] de Estocolmo, a Itália subiu em 2012 ao décimo lugar entre os países que mais dinheiro gastam em armamento em todo o mundo, à volta de 30 bilhões de dólares, equivalentes a 26 bilhões de euros ao ano, o que equivale por sua vez a gastar 70 milhões de euros por dia, dinheiro que provém dos fundos públicos e se destina às forças armadas, à compra de armamento e à realização de missões militares no exterior. [1] Segundo os dados correspondentes ao ano em curso, publicados há um mês pela OTAN, o gasto da Itália no setor de defesa se eleva a 20,6 bilhões de euros, equivalente a mais de 56 milhões de euros diários. Essa cifra, segundo detalhado no orçamento, não inclui o gasto destinado a outras forças que não estão permanentemente sob o comando da OTAN mas que podem pôr-se sob as ordens do comando atlântico, segundo as circunstâncias. Também não inclui os gastos das missões militares no exterior, que não aparecem no orçamento do Ministério da Defesa. Existem, além do mais, duas somas extra-orçamentais destinadas ao financiamento de programas militares a longo prazo, como o do avião de combate F-35. O orçamento oficial confirma que o gasto militar da OTAN ultrapassa um trilhão ao ano, o que representa 57% do total mundial. Mas, na realidade, essa soma é ainda mais elevada já que, ao gasto militar dos Estados Unidos, quantificado pela OTAN em 735 bilhões de dólares ao ano, há que juntar outros gastos de caráter militar que não se incluem no orçamento do Pentágono – como os 140 bilhões anuais destinados aos militares aposentados, os 53 bilhões que vão para o «Programa Nacional de Inteligência», e os 60 bilhões para a «Segurança da Pátria» – que elevam o gasto real dos Estados Unidos em matéria de “defesa” a mais 900 bilhões de dólares, ou seja, mais da metade dos gastos mundiais nesse setor. O objetivo dos Estados Unidos é que seus aliados europeus assumam uma percentagem mais importante dos gastos militares da OTAN, destinada, por sua vez, a aumentar o fortalecimento e a otimização da “frente do leste”. Hoje em dia, sublinha Obama, «aviões da OTAN patrulham os céus do Báltico, reforçamos a nossa presença na Polônia, e estamos dispostos a fazer mais.» Avançando nesse sentido, adverte-nos Obama, «cada Estado membro da organização deve incrementar o seu próprio envolvimento e assumir a sua própria tarefa, mostrando a vontade política de investir na nossa defesa coletiva.» Podemos ter a certeza de que o presidente da Itália, Giorgio Napolitano, e o seu primeiro-ministro, Mateo Renzi, já confirmaram essa vontade a Obama.
[1] Segundo os dados do SIPRI para o ano de 2012, a França ocupa o 6º lugar mundial em matéria de gasto militar com 58 bilhões de dólares, ou seja, cêrca de 43 bilhões de euros, o que representa 117 milhões diários, sem contar os gastos de defesa incluídos em outros orçamentos que não têm a ver com essa rubrica. Ver o orçAmento de Defesa de 2014 da República Francesa.
A notícia sobre uma nova estrada de ferro sendo projetada na China é muito importante pois com certeza seu impacto geo-político será enorme. Os planos já estão sendo feitos, e isso indica que não se trata de sonho, mas de realidade. A China é um país fantástico, e conseguiu chegar ao que é hoje graças a muito trabalho e engenhosidade.
Este projeto certamente afetará todas as pretensões do império na tentativa de isolar a Rússia – as três rotas partirão de Moscou!
E embora as regiões explorados pelos imperialistas não figurem dessa proposta inicial, conforme a notícia do jornal britânico, sua anexação está explícita visto que implicaria em apenas uma extensão da linha férrea, isto é, na extensão de um ou outro dos tres eixos planejados. Assim, todas as grandes regiões geográficas do planeta serão contempladas com a possibilidade de uma ligação férrea entre elas, em igualdade de condições!
O artigo abaixo, embora em inglês, merece seu espaço neste blog pois promete muito para o futuro.
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Chinese experts 'in discussions' over building high-speed Beijing-US railway 'China-Russia plus America line' would run for 13,000km across Siberia and pass under Bering Strait through 200km tunnel Jonathan Kaiman in Beijing, theguardian.com, Thursday 8 May 2014 20.00 BST
A magnetic-levitation train leaves Shanghai. The proposed US rail line would take two days, with the train travelling at an average of 350km/h. Photograph: Aly Song/Reuters China is considering plans to build a high-speed railway line to the US, the country's official media reported on Thursday.
The proposed line would begin in north-east China and run up through Siberia, pass through a tunnel underneath the Pacific Ocean then cut through Alaska and Canada to reach the continental US, according to a report in the state-run Beijing Times newspaper.
Crossing the Bering Strait in between Russia and Alaska would require about 200km (125 miles) of undersea tunnel, the paper said, citing Wang Mengshu, a railway expert at the Chinese Academy of Engineering.
"Right now we're already in discussions. Russia has already been thinking about this for many years," Wang said.
The project – nicknamed the "China-Russia plus America line" – would run for 13,000km, about 3,000km further than the Trans-Siberian Railway. The entire trip would take two days, with the train travelling at an average of 350km/h (220mph).
The reported plans leave ample room for skepticism. No other Chinese railway experts have come out in support of the proposed project. Whether the government has consulted Russia, the US or Canada is also unclear. The Bering Strait tunnel alone would require an unprecedented feat of engineering – it would be the world's longest undersea tunnel – four times the length of the Channel Tunnel.
According to the state-run China Daily, the tunnel technology is "already in place" and will be used to build a high-speed railway between the south-east province of Fujian and Taiwan. "The project will be funded and constructed by China," it said. "The details of this project are yet to be finalised."
The Beijing Times listed the China-US line as one of four international high-speed rail projects currently in the works. The first is a line that would run from London via Paris, Berlin, Warsaw, Kiev and Moscow, where it would split into two routes, one of which would run to China through Kazakhstan and the other through eastern Siberia. The second line would begin in the far-western Chinese city of Urumqi and then run through Kazakhstan, Uzbekistan, Turkmenistan, Iran and Turkey to Germany. The third would begin in the south-western city of Kunming and end in Singapore. The routes are under various stages of planning and development, the paper said. ________________________________________________ Photo taken on June 27, 2013 shows China's first intelligent
high-speed test train produced by CSR Qingdao Sifang Co Ltd waits to be tested
in Qingdao, a coastal city in East China's Shandong province. China is considering building a high-speed railway
across the Siberia and Bering Strait to Alaska, across Canada to the US. In not so distant future, people can take the
train from China to the US. [Photo/Xinhua]
Gládio foi o nome dado a uma organização clandestina, na Itália, do tipo ‘stay-behind’ (‘ficar para trás’), isto é, uma organização que atuaria clandestinamente no país após uma intereferência externa ou uma guerra, no caso, após a Segunda Guerra Mundial.
A Operação Gládio foi constituída de células clandestinas dos
serviços de informação italianos e da OTAN, à época da Guerra Fria, para declaradamente contrapor-se
a uma eventual ‘invasão’ da Itália pela União Soviética. Na realidade, o objetivo não-declarado da Operação Gládio era aterrorizar o povo italiano com atentados terroristas, culpando a União Soviética por tais atentados e, assim, controlando a opinião pública e contendo a opção dos povos europeus pelo comunismo.
Durante a Guerra Fria, quase todos os países da Europa Ocidental organizaram redes
‘stay-behind’sob o controle da OTAN (Áustria, Bélgica,
Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Noruega, Países Baixos, Portugal, Espanha,
Suécia, Suíça, Turquia e Reino Unido). No entanto, a existência da Gládio – da qual apenas se ‘suspeitava’ (conforme a mídia comercial) até as revelações feitas pelo membro da
Avanguardia Nazionale,Vincenzo Vinciguerra, durante seu processo, em 1984 – só
foi reconhecida pelo Presidente do Conselho italiano, Giulio Andreotti, em
outubro de 1990.
Os acontecimentos na Ucrânia, bem como em diversos
outros países, parecem entretanto
demonstrar que operações semelhantes existem ainda e ainda estão aterrorizando os
europeus...
Leia o artigo abaixo para entender o que está
ocorrendo de fato na Ucrânia:
___________________________________________________________ O novo Gladio na Ucrânia
Olhando para trás, para o golpe em Kiev e as informações fornecidas em nossas colunas durante o curso dos acontecimentos, Manlio Dinucci descreve um dispositivo de décadas de idade, usado pelos Estados Unidos e pela OTAN, como aparece hoje: um novo "Gladio," quer dizer, uma estrutura militar secreta capaz de manipular fatos políticos. Parafraseando uma famosa série de televisão dos EUA: "O Pentágono vai negar qualquer conhecimento de suas ações..."
por
Manlio Dinucci, REDE VOLTAIRE, Roma (Itália), 23 de março de 2014
"Delta", um antigo oficial do exército israelita, comandando uma milícia liderada por judeus durante a "revolução Ucrainiana".
Seu nom de guerre é Delta. Ele é um dos líderes militares da "revolução ucraniana", mesmo que, como ele mesmo diz, ele não se considere ucraniano. Sob o capacete, ele usa um kippa [NT: pequeno gorro usado pelos homens judeus ortodoxos]. A história foi lançada pela agência de imprensa judaica JTA (sediada em Nova York), depois de fazer uma entrevista anônima e fotografá-lo camuflado com um colete à prova de balas, o rosto escondido atrás de óculos escuros e um lenço preto [1].
"Delta" é um antigo veterano do exército israelense, que se especializou na guerra urbana como um membro da brigada de infantaria Givati, que esteve envolvida na Operação Chumbo Fundido e outros ataques em Gaza, incluindo o massacre de civis no bairro de Tel el-Hawa. Na Ucrânia há alguns anos, sob o disfarce de empresário, ele montou e treinou, juntamente com outros antigos soldados israelenses, os "Capacetes Azuis de Maidan", uma unidade de combate aplicando, em Kiev, as mesmas técnicas urbanas que foram experimentadas na faixa de Gaza.
Conforme ele disse à JTA, seu pelotão recebe ordens do Svoboda, isto é, de um partido que, por trás da sua nova fachada, mantém sua matriz neonazista. A fim de tranquilizar os judeus ucranianos, que corretamente se sentem ameaçados pelos neonazistas, "Delta" insistiu que a acusação de anti-semitismo levantada contra o Svoboda é "bobagem".
A presença de especialistas militares israelenses na Ucrânia é confirmada pelas informações retransmitidas pelo JTA e outras agências de notícias judias segundo as quais muitos dos feridos em confrontos com a polícia de Kiev foram imediatamente levados para hospitais israelenses, evidentemente para impedir que alguém revelasse quaisquer verdades mais inconvenientes. Como aquela sobre as pessoas que treinaram e armaram os atiradores na Praça Maidan que, com os mesmos rifles de precisão, dispararam contra os manifestantes e a polícia (quase todos atingidos na cabeça).
Estes fatos lançam uma nova luz sobre a forma como o golpe em Kiev foi organizado e implementado. Sob a direção dos Estados Unidos e da OTAN, a CIA e outros serviços secretos têm há anos recrutado, financiado, treinado e armado os ativistas neonazistas que, em Kiev, invadiram prédios do governo e em seguida foram nomeados para a "guarda nacional".
A documentação fotográfica que tem circulado recentemente na internet mostra jovens ativistas ucranianos, pertencentes à organização neonazista Uno-Unso, na Estônia, em 2006, sendo treinados por instrutores da OTAN em técnicas de guerra urbana e uso de explosivos para sabotagem e ataques [2]. A OTAN fez a mesma coisa durante a Guerra Fria para formar a estrutura paramilitar clandestina de "agir-por-trás", denominada "Gladio" [3]. Eles são ativos também na Itália, onde, em Camp Darby (base militar dos EUA perto de Pisa) e outros locais, treinaram grupos neofascistas para realizar ataques e perpetrar um possível golpe de estado. Uma estrutura paramilitar análoga foi criada e está funcionando hoje na Ucrânia, também utilizando especialistas israelitas.
O golpe de estado não teria tido êxito, no entanto, se a OTAN não tivesse cooptado uma grande parte dos escalões superiores da hierarquia militar ucraniana, treinando-os durante anos no Colégio de Defesa da OTAN e inserindo-os em "operações de paz". E não é difícil imaginar que, nas sombras da rede oficial, um segredo está à espreita. Assim, as forças armadas ucranianas atenderam à ordem da OTAN para permaneceram "neutras" enquanto o golpe de estado se desenrolava. Em seguida, eles foram substituídos por Andriy Parubiy, co-fundador do Partido Nacional Socialista renomeado Svoboda, que tornou-se Secretário do Comitê de Defesa Nacional, e pelo Almirante Igor Tenjukh, nomeado Ministro da Defesa, que também está ligado ao Svoboda.
Sem dúvida, o descarte (ou eliminação) daqueles oficiais considerados pouco confiáveis já está em andamento. Enquanto a OTAN, que de fato anexou a Ucrânia, pronunciou o referendo na Crimeia como "ilegal e ilegítimo".
Xavier Caño Tamayo, VOLTAIRE
NETWORK, SOCIOS, 28 de abril de 2014
Alguns dias atrás, Jim Yong Kim, Presidente do Banco Mundial, disse que 1
bilhão de pessoas vive hoje em extrema pobreza. Isso representa um sétimo da
população, ou quase 15 por cento dos habitantes da terra. Para ressaltar a
gravidade da situação, Kim indicou que "colocar um fim à pobreza extrema
exigiria que 1 milhão de pessoas deixasse de ser pobre a cada semana, durante
16 anos".
Há cêrca de 5 anos, José Vidal Beneyto escreveu que "a cada 3 segundos, morre uma criança por sofrer de pobreza, e, em resposta, todos os dias a fortuna dos
mais ricos se multiplica rapidamente". Ele havia se aprofundado em um
relatório da Organização das Nações Unidas sobre desenvolvimento de recursos
humanos, o qual desmontava a falácia da pobreza devido a circunstâncias
inevitáveis. Desnutrição, fome, doença, exploração, analfabetismo, mortalidade
infantil... poderiam ser eliminados se acabássemos com uma ordem social cujo
principal objetivo é aumentar a riqueza dos ricos.
Vidal Beneyto citou um relatório por Emanuel Saez e Thomas Piketty que mostrava
que 1 por cento das pessoas mais ricas dos Estados Unidos possuíam uma fortuna
maior do que a que tinham, na época, 170 milhões de americanos com menos
recursos. Mas isso foi há quase 5 anos. Um estudo na Universidade da Califórnia
em Berkeley (Striking it richer: the evolution of top incomes in the United States
– Ficando mais rico: a evolução dos rendimentos superiores nos Estados Unidos)
mostra que, de 2009 a 2012, nos Unidos Estados, os 1 por cento mais ricos da
população se apropriaram de 95 por cento do aumento da receita no país. O
benefício desses 1 por cento mais ricos cresceu mais de 30% nesse período; mas,
o benefício do resto foi só um pequeno 0.4 por cento.
Conforme mostrado pelos dados do Credit Suisse, em um mundo de 7,3 bilhões de
habitantes, quase metade da riqueza está nas mãos de 1% da população, enquanto
a outra metade é distribuída entre os 99 por cento restantes, sendo maior o número
daqueles que têm menos. A desigualdade cresce sem cessar, pois a riqueza cada vez
se redistribui menos e se concentra mais em muito poucas mãos.
No Reino da Espanha, se medirmos os rendimentos dos 20 por cento mais ricos da população
e dos 20 por cento mais pobres, lembra-nos Juan Torres, veremos que a desigualdade
aumentou dramaticamente desde 2007. A Espanha é o país europeu com mais
desigualdade. Em 2011, apenas a Bulgária e a Romênia tinham maiores taxas de
pobreza.
Mas isso não acontece apenas na Espanha. Na Alemanha, já existem 8 milhões de
trabalhadores que ganham menos de 450 euros por mês; e na França o nível de
pobreza é o maior desde 1997: 2 milhões de trabalhadores ganham menos de 645
euros por mês e 3,5 milhões de pessoas precisam de ajuda alimentar para
sobreviver. Mesmo em países com reputação de mais igualitários (Suécia e
Noruega, por exemplo), a renda dos 1% mais ricos aumentou mais de 50 por cento,
mas não a do resto da população.
O caso espanhol é o mais grave. De acordo com dados do Fundo Monetário
Internacional, só a Lituânia o supera em aumento da desigualdade; o que
significa que desigualdade e pobreza associadas atingiram níveis insustentáveis. Porque falar em desigualdade é, necessariamente, falar de
pobreza. E a pobreza que acompanha a desigualdade tem consequências terríveis.
Por exemplo, Joanna Kerr, diretora geral da ActionAid International, anunciou
recentemente que, se não se agir imediatamente, mais de 1 milhão de crianças poderão
morrer até 2015.
Mas, não se luta contra a pobreza sem fazê-lo contra a desigualdade também. Uma
desigualdade que persiste e cujas causas estruturais são a imposição de uma
liberdade total para a compra e venda de bens, capitais e serviços; a completa
desregulamentação da atividade econômica (principalmente financeira); a redução
drástica das despesas públicas; mais a exigência de um rígido controle
orçamental, especialmente em serviços e atendimento dos direitos sociais. Para
não mencionar a indecente redução sistemática dos impostos para os mais ricos, que começou em 1980 e não cessou.
É evidente que para combater a pobreza extrema é essencial pôr fim à extrema
riqueza. Como Eduardo Galeano disse: "este capitalismo assassino mata os
famintos ao invés de matar a fome e está em guerra contra os pobres, mas não
contra a pobreza". Então, é óbvio que devemos liquidar o capitalismo.
Veja abaixo outro ótimo artigo de Finni Cunningham. Tenho lido os artigos deste jornalista há alguns anos, em vários sites, e eles parecem refletir meus próprios pensamentos. Eu acredito que muitas pessoas pensam como nós, mas não têm a habilidade de escrever ou expressar suas idéias ou a oportunidade de divulgá-las.
Concordo com o autor que está na hora de começarmos a falar abertamente sobre o sistema econômico opressor em que vivemos. De certa forma, este blog tem tentado mostrar exemplos dessa oprressão, e pretende continuar a fazê-lo.
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Pobreza e guerra condenam o capitalismo Pobreza e guerras são indicadores do capitalismo como um sistema econômico falido, escreve Cunningham Fini.
Por Fini Cunningham, PressTV, sábado, 26 de abril de 2014 11:15 AM GMT
Os trabalhadores em países ocidentais agora são pagos tão mal que as empresas estão declaradamente achando lucrativo retornar da China – tendo mudado para a Ásia, em primeiro lugar, para explorar a mão de obra barata lá.
Esse é um indicador surpreendente de como o capitalismo criou uma corrida global ao poço da miséria para os trabalhadores – no entanto, a mídia corporativa ocidental ativamente oculta essa abominação.
Esta semana, um noticiário de negócios da BBC soou quase comemorativo sobre o fato de que a Grã-Bretanha, os EUA e outros países ocidentais têm agora "custo competitivo" com relação à China e ao Brasil. O resultado é que muitas firmas e empresas estão agora a se re-estabelecer em países ocidentais por causa dos salários "competitivos" dos trabalhadores, de acordo com a distorção da BBC.
A competitividade, disse a BBC, provinha do salários dos trabalhadores no oeste sendo "mantidos constantes" e porque eles "se tornaram mais produtivos".
Essa é uma linguagem orwelliana [referente às distorções da realidade pelo Estado totalitário na novela 1984, de George Orwell – nt], usada para obscurecer as condições de pobreza sistemática e exploração em que vivem muitos trabalhadores em países ocidentais – cuja escala é tão terrível que as empresas estão achando esses países mais lucrativos do que outros destinos que foram anteriormente pensados como fornecedores de mão de obra barata.
Tais empresas tinham anteriormente fechado, ou, como a linguagem orwelliana denomina, "reduzido" suas operações nos EUA, na Grã-Bretanha e em outros países ocidentais para aumentar seus lucros, aproveitando os baixos salários na China.
Mas, após vários anos com desemprego crônico pressionando os salários para baixo e política de governo facilitando cortes de salários, os trabalhadores no Ocidente agora foram transformados em um exército de mão de obra barata. Governos ocidentais estão também usando dinheiro do contribuinte para oferecer incentivos fiscais [como redução dos impostos corporativos – nt] às firmas atraindo-as a retornar – a fim de explorar o trabalhador comum cada vez mais intensamente.
Estima-se que o valor em termos de salário médio nos Estados Unidos é menor do que o que era na década de 1960 – meio século atrás. Isto tem levado a um enorme aumento da pobreza e à polarização da riqueza em mãos da pequena elite social. Os 400 indivíduos mais ricos dos Estados Unidos da América possuem mais riqueza do que metade da população, que consiste de cerca de 155 milhões pessoas. Um quarto de todos os trabalhadores americanos está oficialmente classificado como subsistindo abaixo da linha da pobreza. A figura real pode ser tão alta quanto 50 por cento.
Na Grã-Bretanha, por exemplo, o salário médio para um executivo de empresa é agora 120 vezes a de um trabalhador médio, de acordo com o Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento. Vinte e cinco anos atrás, a diferença era de 49 vezes.
Deveria ser óbvio que pobreza, decadência social e vasta desigualdade não estão apenas sistematicamente associadas; mas, que essa situação abominável é uma indicação de que o capitalismo é um sistema econômico falho.
O surpreendente é que a mídia e os políticos ocidentais vivem negando completamente essa realidade evidente. É óbvio que o sistema capitalista de lucro privado para uma pequena minoria social deve ser condenado abertamente e que é impraticável como um sistema de organização social, baseado como é na exploração maciça de seres humanos. Mas, quando você ouve esse assunto a ser discutido por figuras públicas no Ocidente? É como o proverbial elefante, ou talvez devêssemos dizer dinossauro, na sala a ser ignorado.
O que o público ocidental precisa fazer é forçar esse tópico em conversa aberta. Os políticos e a mídia corporativa precisam ser tratados com desprezo por sua negação e desinformação sobre a mais premente realidade do nosso tempo – a destruição das sociedades sob o capitalismo.
Só porque as elites políticas e os meios de comunicação não falam sobre o capitalismo não significa que nós devemos suprimir esse assunto também. Se o fizermos estaremos nos conformando a esse "grupo pensante".
As pessoas deveriam entender que todos os partidos políticos existentes nos países ocidentais – sejam eles chamados Republicano ou Democrata, Conservador ou Trabalhista– são todos, como a grande mídia, defensores do capitalismo. Eles se beneficiam do sistema e nunca reconhecerão suas limitações; muito menos o contestarão. A mesma crítica se aplica à maioria dos sindicatos, cuja liderança também é beneficiária do sistema.
Chegou a hora de um genuíno socialismo em que a economia é organizada e planejada através da participação pública e onde a produção é orientada por necessidades humanas, e não pelo lucro privado. Historicamente, o capitalismo tornou-se redundante como um sistema de organização social. Não apenas redundante; o capitalismo degenerou-se em inimigo do mundo, ameaçando nossa sobrevivência. Está a destruir a vida humana através de uma exploração implacável. O sistema é insustentável, perverso e irracional.
Além disso, o desejo insaciável de lucro privado também está orientando a rivalidade geopolítica que inevitavelmente se manifesta na guerra. A guerra não é só boa para os investidores capitalistas; ela também distrai a atenção do público para além do dinossauro na sala.
Parece haver pouca dúvida de que Washington e seus aliados ocidentais estão tentando provocar uma guerra com a Rússia não fora de qualquer princípio jurídico, mas simplesmente para desviar a atenção da guerra de classe que está sendo travada contra os trabalhadores e a maioria das pessoas em suas próprias sociedades.
Apesar da censura oficial eficaz sobre o assunto, o público occidental precisa começar a falar insistentemente sobre o capitalismo e sua destruição das sociedades, do ambiente natural e das relações internacionais a tal ponto que uma guerra nuclear está sendo irresponsavelmente arriscada.
A mídia alternativa, como a PressTV, merece grande crédito por sua liberdade de pensamento, levantando este urgentemente necessário debate público sobre o capitalismo e a necessidade premente de sua abolição. É também em parte por isso que o público ocidental está abandonando sua mídia em massa e olhando para alternativas como PressTV.
É um absurdo, mas profundamente revelador, como a mídia corporativa ocidental recusa quaisquer vistas ou discussões sobre o capitalismo e o seu impacto abominável de pobreza e belicismo.
Como a revolucionária alemã Rosa Luxemburg disse uma vez, estamos diante de uma escolha entre a presente barbárie sob o capitalismo, ou a criação de um novo mundo democrático, viável, sob o socialismo.
Um primeiro passo seria o público ocidental começar a falar e a pensar abertamente sobre a irracionalidade destrutiva do capitalismo. É disto que os políticos ocidentais e a elite rica, incluindo a mídia, têm mais medo. Eles temem o momento em que a maioria das pessoas vai começar a gritar "o rei está nu!"
FC/HMV
* Fini Cunningham (nascido em 1963) tem escrito extensivamente sobre assuntos internacionais, com artigos publicados em várias línguas. Ele é formado em mestrado em química agrícola e trabalhou como um editor científico para o Royal Society of Chemistry, Cambridge, Inglaterra, antes de seguir uma carreira no jornalismo. Ele também é músico e compositor. Por quase 20 anos, ele trabalhou como editor e escritor em grandes organizações, incluindo The Mirror, Irish Times e Independent . Originalmente de Belfast, na Irlanda, ele agora está morando no leste da África com jornalista freelance, onde está escrevendo um livro sobre Bahrein e a Primavera Árabe, com base na experiência de testemunhas oculares; trabalhando no Golfo Pérsico como editor de uma revista de negócios e, também, como correspondente de notícias freelance. O autor foi deportado de Bahrein, em junho de 2011, por causa de seu jornalismo crítico, em que ele destacou as violações sistemáticas dos direitos humanos pelas forças do regime. Ele é também colunista de política internacional para a PressTV e para a Strategic Culture Foundation.
Para muitas pessoas, o que está acontecendo no Oriente Médio é ‘muito complicado’...
Sem dúvida, a realidade nessa região é muito diferente da do Brasil e, por isso, difícil de se compreender... Para facilitar a compreensão sobre o que ocorre nessa região – com implicações sobre os acontecimentos recentes na Ucrânia, na Venezuela, na China e em outros lugares do mundo, inclusive no Brasil –, vou anexar nas próximas postagens alguns artigos esclarecedores.
Nesta postagem, estou anexando um artigo acêrca de um dos candidatos à Presidência do Líbano nas próximas eleições, Samir Geagea. Como o autor informa, esse candidato foi apoiado por Saad Hariri, antigo Primeiro Ministro do Líbano (2009-2011). Vale lembrar que Saad Hariri é um bilionário cujo pai, o negociante Rafik Hariri, foi também Primeiro Ministro (duas vezes: 1992-1998 e 2000-2004, apesar de ser saudita), tendo sido assassinado em uma explosão em Beirute em 2005.
Esse assassinato foi uma façanha extraordinária – como o foi o ataque às Torres Gêmeas, em New York, em 11 de novembro de 2001, mantidas as proporções. A bomba que explodiu o carro em que Rafik Hariri viajava era tão possante que ao explodir matou outras 22 pessoas. Revelações atuais de uma equipe independente de investigação mostram que na construção dessa bomba, alemã e muito sofisticada, foram usados conhecimentos de nanotecnologia e empregados materiais radioativos, como uranio empobrecido. Mas, há ainda fatos mais notáveis ligados a esse assassinato de alto nível: embora alguns pensem que ‘drones’ são recentes, há indicações de que Rafik Hariri foi vigiado por algum tempo por drones de origem israelita, os quais emitiam informações à fonte de espionage – isso em 2005!
Quem teria planejado e executado tão sofisticada operação?
Membros do Hezbollah foram acusados desse assassinato (Hezbollah: do árabe Ḥizb Allāh, Partidário de Deus). O Hezbollah é um grupo militar e partido político que emergiu como uma facção no Líbano após a invasão de Israel, em 1982, e que desde então resiste à pressão para que o Libano se alinhe ao Ocidente. Mas, entre outros atemorizantes fatos, o texto abaixo identifica os mais prováveis autores, com tecnologia e motivo para criar uma guerra na região.
O artigo acende uma luz sobre o sombrio Oriente Médio e talvez ajude alguns leitores a compreender o que ocorre no Líbano e no restante do Oriente Médio no momento e qual a relação com os ataques terroristas na Síria. Com a possível vitoria da Síria contra os terroristas/mercenários internacionais que têm atacado o país, matando centenas de milhares de pessoas e deslocando milhões com a intenção de forçar o país a se alinhar ao Ocidente (colonialismo), a história do Oriente Médio e do mundo talvez tenha a chance de adotar uma direção menos corporativa.
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Mais uma vez, Samir Geagea perde a aposta Por Ghaleb Kandil, Rede Voltaire | Beirute (Líbano), 14 de abril de 2014 Samir Geagea A candidatura de Samir Geagea na eleição presidencial libanesa, anunciada sexta-feira, 4 de abril, foi considerada há três anos. Foi uma decisão muito séria, apoiada pelo antigo primeiro-ministro Saad Hariri e pelo diplomata americano Jeffrey Feltman, tendo em vista a destruição do Estado sírio. O entusiasmo do Sr. Hariri por esse plano tinha atingido o seu pico quando ele disse que voltaria a Beirute apenas pelo aeroporto de Damasco. Primeiro: Essa aposta baseou-se na queda da Síria, na destruição de seu estado e de seu exército, e na sua integração ao campo ocidental, o que estabeleceria novas equações regionais. O plano de Feltman era para dobrar a Resistência Libanesa: dentro do Líbano, com uma guerra lançada pelas milícias do Movimento Futuro e das Forças Libanesas, apoiadas por grupos terroristas que estavam trabalhando na Síria e que manifestaram a intenção de entrar no Líbano para combater o Hezbollah bem antes do envolvimento deste partido na luta na Síria; e através da fronteira sul do Líbano, com uma invasão israelense, que permitiria a Israel vingar sua derrota em julho-agosto de 2006, que destruiu os sonhos de Tel. Avi, do Ocidente, e de todos os seus aliados libaneses e árabes, que jogaram todas as suas forças para destruir a Resistência Libanesa.
É neste contexto que Saad Hariri anunciou seu apoio à candidatura de Samir Geagea à Presidência, apostando na queda rápida do Estado sírio.
Segundo: A guerra contra a Síria está em um impasse. A aliança de Estados Unidos, Israel, Ocidente, Turquia e aliados árabes procura, nesta fase, limitar o dano para atenuar as consequências da derrota. Com a mudança do equilíbrio de poder no terreno na Síria em favor do eixo da resistência, os americanos não escondem os fatos. O plano Feltman tornou-se uma quimera.
Os desenvolvimentos no campo de batalha mostram mais claramente que a aposta para destruir a resistência é uma ilusão. O Estado sírio e suas forças armadas registram vitórias sucessivas, e é ele quem detém a iniciativa militar e política, embora homens, dinheiro e armas continuem a fluir para grupos terroristas.
Mudanças no terreno sírio beneficiarão naturalmente a resistência libanesa e seus aliados. Isto significa que os líderes libaneses, incluindo cristãos, que apoiaram a resistência e torceram pela força do Estado sírio. beneficiar-se-ão politicamente das novas realidades. Portanto, Samir Geagea, autor do slogan "Deixe a Irmandade Muçulmana prevalecer", mais uma vez perderá todos os seus lances. O líder das Forças Libanesas sabe que as chances de sua eleição para a Presidência da República do Líbano são quase zero.
Terceiro: A candidatura de Samir Geagea surge no último quartel do conflito sírio, em uma época quando Saad Hariri foi forçado a recuar e retirar sua cobertura política aos grupos terroristas – grupos Takfiristas que ele incubou por três anos em Tripoli, Ersal e em outros lugares no Líbano, atendendo solicitação expressa dos americanos.
O objetivo principal de Samir Geagea é bloquear o caminho para a eleição para a presidência do General Michel Aoun. Sua candidatura iria servir para neutralizar o Líder do Movimento Patriótico Livre e favorecer a eleição de uma personalidade de "consenso", cuja tarefa principal seria a de gerenciar a situação atual, sem ser capaz de propor soluções radicais para a crise no Líbano.
Nas atuais circunstâncias, tudo evidencia que o vazio na Presidência, por um período relativamente longo, continua a ser o cenário mais provável. A única solução é a adoção de uma nova lei eleitoral, com base na representação proporcional, que permitiria a eleição de um Parlamento verdadeiramente representativo, o qual elegeria um novo Presidente capaz de encarnar as aspirações das gerações futuras. Tradução
A situação dos direitos humanos na Ucrânia deteriorou-se acentuadamente desde o golpe pró-OTAN. Enquanto os meios de comunicação ocidentais fazem vista grossa a essa realidade de cada dia, Oriental Review destaca trinta incidentes particularmente significativos, revelando que a rua está nas mãos de bandidos nazistas que espancam e matam pessoas com total impunidade.
Andrey Fomin,
REDE VOLTAIRE, MOSCOW (RÚSSIA), 14 de avril de 2014
O pêndulo de repressões políticas na Ucrânia está ganhando força nos dias de hoje. Em nítido contraste com a abordagem liberal do presidente Yanukovych ao protesto de "Euromaidan", a administração provisória de Kiev não hesitou muito em reprimir a revolta pública contra o regime "neonazista" em ascensão no leste e sul da Ucrânia. Hoje, só em Kharkov pelo menos 70 ativistas foram presos durante a chamada "operação antiterrorista" [1]. De acordo com os relatórios, mercenários estrangeiros presumivelmente da empresa militar privada Greystone Ltd estavam participando da operação conjunta com a Guarda Nacional (consistindo majoritariamente dos ultranacionalistas do partido Pravy (à direita) Sector e algumas unidades leais do Ministério do Interior.
George Orwell teve uma visão quando ele cunhou a frase "guerra é paz" para descrever o pensamento de sua sociedade totalitária fictícia do futuro. Ele não iria ter problemas em reconhecer a propaganda exibida durante a recente derrubada do governo ucraniano, durante a qual "manifestantes pacíficos" se envolveram em matança, incêndios e saques... e continuam a fazê-lo até agora.
Mas o golpe de estado ainda não acabou – ocupar o poder é uma coisa; mas, preservá-lo é outra. E agora estamos vendo dificuldades inevitáveis surgirem: há pouco mais de um mês, o governo provisório em Kiev perdeu a posse da Criméia e encontrou-se frente a frente com umaa resistência desesperada no Sul e no leste da Ucrânia.
O novo governo chegou à cena brandindo slogans tais como: "protestos pacíficos", "luta pela democracia", e "liberdade de expressão"; mas, começou logo a frear a oposição, estabelecendo total controle sobre a imprensa, rádio e televisão, e usando a repressão política para calar protestos civis no Sul e no leste da Ucrânia.
Manifestantes anti-governo atacam um deputado do Partido das Regiões, Vitaly Grushevsky, fora do edifício do Parlamento Ucraniano , em Kiev, 22 de fevereiro de 2014.
Evidente repressão física sobre qualquer sinal de dissidência começou durante as primeiras horas do golpe: no dia 20 de fevereiro, a maioria pró-Maidan no Supremo (Verkhovnaya) Rada (Parlamento da Ucrânia) usou violência contra deputados, contra o Partido Comunista e contra o Partido das Regiões. Muitos foram despojados de seus cartões de votação, que foram então usados por outros para dar os votos "necessários" à sua causa.
Depois, veio um ataque contra o canal de TV Inter [2], que é assistido em todo o país e goza da segunda maior audiência. Homens armados invadiram o estúdio no meio de uma transmissão ao vivo. O jornalista Mustafa Nayyem (um dos organizadores do Euromaidan) anunciou os novos planos do governo... de nacionalizar o canal. Como você talvez se recorde, a estação de TV pertence atualmente ao oligarca Dmytro Firtash, que foi preso em Viena a pedido do FBI [3].
O que é impagável, é claro, é que, algumas semanas antes, Mustafa Nayyem e seus cúmplices na Hromadske TV (TV Pública – um projeto de TV na Internet que foi lançado usando dinheiro de doação americana quase simultaneamente com o início dos protestos de Euromaidan) fizeram uma abordagem oposta, "privatizando" parte das ondas de freqüência do canal de TV First National (que é estatal).
O Conselho Nacional de Rádio e Televisão (após várias malsucedidas meia-medidas) finalmente decidiu proibir completamente todos os principais noticiários de televisão russa na Ucrânia [4]. E todas as transmissões de televisão provenientes de empresas de propriedade de Igor Kolomoisky [5], Victor Pinchuk [6], Rinat Akhmetov [7] e Dmytro Firtash, de repente, começaram a trabalhar em conjunto como uma máquina de propaganda bem lubrificada, centralmente controlada.
No mês passado, houve dezenas de ataques (versões física e cyber) contra a equipe editorial da mídia na oposição. Em 27 de fevereiro, a chamada Legítima Defesa do Povo apreendeu o escritório da agência de notícias Golos.ua, e severa pressão foi posta sobre o canal nacional ucraniano de TV Gamma, que trabalha em estreita colaboração com aquela agência. Logo a seguir houve uma invasão no jornal Comunista, que é a publicação oficial do Partido Comunista da Ucrânia. O site do PCU está também frequentemente desconectado. Na cidade de Vinnitsa, foi usada força descarada para tomar posse da estação de TV local que trabalhava com comunistas ucranianos. Os jornalistas pró-Maidan relataram essa informação com indisfarçável alegria.
Um ataque também foi encenado contra a publicação on-lineKrivda Ucraniano, que parodia a mídia pró-Maidan e verifica a veracidade do dogma sob encomenda em suas publicações. Seu site também está atualmente bloqueado.
Um grupo de jornalistas do site Pravda Ucraniano, liderado pelo conhecido analista político Vladimir Kornilov, foi forçado a escolher entre deixar o país ou cessar a publicação de seus artigos. Eles foram ameaçados de morte e represálias selvagens.
A última edição publicada pelo, literalmente, único representante da mídia da oposição que está acessível em todo o país, o respeitado e muito legível Semanal 2000, apareceu em 14 de março. Essa publicação foi interrompida por causa da pressão sobre sua impressora, a Imprensa da Ucrânia, onde o papel é composto em seu formato habitual. A casa de impressão, que é uma instituição financiada pelo Estado, unilateralmente alterou as condições para a impressão do jornal, colocando a publicação em uma situação impossível.
E, claro, havia o notório exemplo da visita paga por vários membros do partido nacionalista Svoboda ao escritório da TV First National. O espancamento de Aleksandr Panteleimonov foi capturado em vídeo e ele foi forçado a escrever uma carta de demissão depois de ser submetido a ameaças e violência.
Embora os meios de comunicação ocidentais torçam suas mãos sobre as alegadas "violações dos direitos humanos na Crimeia", observadores internacionais aparentemente estão ocupados demais para se interessar no que está acontecendo no resto da Ucrânia [8]. Para os curiosos, aqui estão alguns fatos que representam apenas a "ponta do iceberg" da repressão política na Ucrânia:
Em 22 de fevereiro, o primeiro secretário do Comitê Lvov do Partido Comunista da Ucrânia, Rostislav Vasilko, foi falsamente acusado de provocar "incêndio em Maidan" e submetido a torturas brutais [9]. De acordo com testemunhas, ele teve agulhas enfiadas debaixo das unhas, o pulmão direito foi perfurado, três costelas, o nariz e outros ossos em seu rosto foram quebrados, e ameaças foram feitas para acabar com sua família. Ele atualmente está passando por tratamento médico na Rússia.
Em 23 de fevereiro, Alexander Pataman, o líder da antifascista Milícia do Povo de Zaporozhye, foi raptado.
Em 24 de fevereiro, seis membros do Tribunal Constitucional da Ucrânia foram ‘voluntariamente’ demitidos pelo Supremo Rada "por violar o juramento" [10]. Alguns deles foram sujeitos a ameaças e coerção física. Três dias mais tarde, os juízes expulsos encaminharam um apelo às instituições internacionais de direitos humanos [11].
Em 28 de fevereiro, o vice-governador da região de Dnipropetrovsk, Boris Filatov, postou uma explicação em sua página do Facebook sobre como tratar adequadamente os membros do movimento pró-russo, que estão insatisfeitos com o governo central em Kiev: "ofereça a esses otários quaisquer promessas, garantias ou concessões que eles queiram. E... nós vamos enforcá-los mais tarde." [12]
Em 5 de março, Andrei Purgin, um dos líderes da organização pro-russa República de Donetsk, foi capturado em Donetsk e levado para um destino desconhecido [13]. Os amigos do homem seqüestrado afirmam que ele havia recebido uma visita no dia anterior, durante a qual ele foi avisado, "se ele ficar em casa hoje, sua esposa não vai se tornar uma viúva"; mas, porque outros estavam à espera dele, ele foi à praça pública, de qualquer forma. O destino de Andrei agora é desconhecido.
Em 6 de março, Vladimir Rogov, o líder da organização cívica ucraniana Guarda Eslavo, foi raptado. Ele está seguro, no momento, mas foi forçado a abandonar a região de Zaporozhye e Ucrânia.
Pavel Gubarev
Em 6 de março, Pavel Gubarev, o "governadordo povo" e líder dos ativistas pró-russos, foi detido em Donetsk [14]. Depois de ser pego, ele foi severamente espancado, tanto na estrada de Donetsk a Kiev, bem como no centro de detenção do Serviço de Segurança Ucraniano (SBU). Pavel entrou em coma em meados de março e atualmente permanece em um hospital da prisão. Por causa do medo de que sua condição possa se tornar publicamente conhecida, ele não tem permissão de acesso a um advogado. Sua esposa Ekaterina e três filhos pequenos foram forçados a deixar a Ucrânia após a detenção do marido.
O "governador do povo" da região de Luhansk e líder da Guarda de Lugansk, Alexander Kharitonov, foi preso e está detido em uma instalação de detenção da SBU desde 14 de março.
Em 17 de março, o líder da Alternativa do Povo, Anton Davidchenko, foi detido pela SBU em Odessa, e atualmente também está detido em uma prisão da SBU em Kiev.
Em 17 de março, membros de um grupo de extrema-direita chamado "Tribunal do Povo" em Vinnitsa descaradamente exigiu que Tatyana Antonets, a médica chefe do hospital regional infantil, voluntariamente pedisse demissão porque ela não havia publicamente renunciado ao Partido das Regiões nem condenado "os crimes do governo anterior". [15] Os radicais alegaram que, se ela não obedecesse as suas ordens, a médica seria responsabilizada "em conformidade com as leis de tempos revolucionários severos."
Depois que várias ameaças foram feitas, em 17 de março, o carro pertencente ao líder da Frente Sudeste, Artyom Timchenko, foi incendiado. O promotor público para a região de Zaporozhye, Alexander Shatsky, que tinha sido recentemente nomeado por Kiev, chamou o incidente um exemplo de "auto-imolação".
Em 19 de março, cerca de 300 homens armados, em Vinnitsa, liderados por ativistas do Pravy Sector, apreenderam uma destilaria local, pertencente à empresa Nemiroff [16].
Em 20 de março, um grupo de ativistas do Pravy Sector agrediu alguns estudantes húngaros, da cidade húngara de Miskolc, que estavam numa excursão à Transcarpátia [17]. Extremistas armados invadiram uma reunião do conselho cívico húngaro da cidade de Berehove, na região de Transcarpátia, e espancaram os participantes. Há dois anos, os nacionalistas ucranianos profanaram o monumento na Passagem Verecke que tinha sido erguido para comemorar a passagem de tropas húngaras em toda a região dos Cárpatos [18]. Eles pintaram as frases "Morte aos húngaros" e "Aqui é a Ucrânia" no pódio.
Em 20 de março, quatro jornalistas do canal de TV Rússia-1 foram detidos em Donetsk [19]. Os documentos dos russos foram apreendidos e eles foram levados para o posto de Vasilievka, no qual foram mantidos por várias horas, sem explicação, antes de serem expulsos da Ucrânia.
Em 20 de março, o serviço de segurança da Ucrânia começou uma tentativa de dissolver a organização cívica Guarda Lugansk que defende a colocação da Ucrânia sob a autoridade do governo federal russo e o russo como a língua do estado. Três ativistas foram presos e vistorias foram conduzidas nos escritórios da organização e nos apartamentos dos seus membros. Um dos líderes da sua Ala da Juventude, Anastasiya Pyaterikova, postou um apelo público nas redes sociais, alegando que a SBU, juntamente com um deputado do Verkhovna Rada (um líder do Partido Radical Oleh Lyashko, de extrema-direita), haviam organizado uma busca para os membros da Guarda Lugansk e perseguiam ativistas e membros de suas famílias [20].
VÍDEO: Oleg Lyashko, político ucraniano e líder do "Partido Radical", seqüestra um deputado do conselho de cidade de Lugansk, Arsen Klinchaev.
Em 20 de março, representantes do movimento chamado AutoMaidan tentaram extorquir combustível, dinheiro, e outros ativos do diretor de um dos ramos da empresa russa Lukoil-Ucrânia, a fim de "alimentar as necessidades da revolução." [21]
Em 20 de março, uma multidão em Kiev, usando máscaras e armada com armas de fogo e lâminas, invadiu o prédio do Conselho de Inspeção de Arquitetura e de Construção do Estado Ucraniano. Apreendendo escritórios no sétimo andar e no décimo primeiro andar, eles fingiram ser membros de um "comitê de luta contra a corrupção" e confiscaram pastas contendo documentos de arquivo.
Em 21 de março, uma casa na região de Kiev foi queimada, a qual pertencia a Viktor Medvedchuck, um líder do movimento Escolha Ucraniana.
Em 23 de março, ativistas da Euromaidan, em Kiev, tentaram ocupar o prédio da Rossotrudnichestvo, uma agência russa que promove laços com os russos étnicos no exterior, e roubaram o carro de um dos seus empregados. Essa proeza destinava-se a confiscar o escritório e usá-lo para abrigar a sede da Legítima Defesa do Povo de Maidan.
Em 23 de março, um grupo de membros do Pravy Sector, armado com metralhadoras, invadiu um concerto em Rovno, que estava ocorrendo como parte de um festival de rock local, empunhando suas armas e dispersando os participantes.
Em 23 de março, em Zaporozhye, algumas dezenas de militantes, conhecidos como a Auto Defesa de Maidan, atacaram os participantes do Movimento de Rua da Amizade de Melitopol-Zaporozhye com paus, pedras e vergalhões de ferro. As pessoas foram espancadas e carros foram danificados.
Em 24 de março, membros do serviço da fronteira ucraniana mais uma vez proibiram tripulantes da Aeroflot de deixar sua aeronave durante escalas em aeroportos ucranianos. Nenhuma explicação foi dada. Esse tipo de discriminação por parte de guardas da fronteira ucraniana, que já ocorreu várias vezes no mês passado nos aeroportos em Kiev, Kharkov e Donetsk, é uma violação das práticas internacionais aceitas e representa um perigo para o tráfego aéreo civil. Nos últimos dias, os guardas da fronteira ucraniana têm retornado forçosamente um grande número de viajantes aéreos da Rússia. Quarenta e três casos foram relatados na Aeroflot apenas. Em 32 casos, a Aeroflot foi compelida a repatriar, às suas próprias expensas, passageiros que tinham voado à Ucrânia com passagens só de ida.
Desde meados de março, na seção de fronteira russo-ucraniana de Kharkov, guardas da fronteira ucraniana bloquearam a entrada de cidadãos russos na Ucrânia, retornando 120-130 pessoas por dia.
Em 26 de março, apoiantes do Pravy Sector em Dnepropetrovsk, Donetsk e Kharkov agrediram fisicamente as pessoa que encontraram nas ruas vestindo as fitas honorárias de São Jorge (o símbolo da vitória soviética sobre o nazismo) [22].
Em 26 de março, na região de Kirovograd, representantes do "Conselho do Povo" local e membros do partido Svoboda atacaram o médico chefe do hospital do distrito Central de Ulyanovsk, Aleksander Tkalenko, tentando espancá-lo em seu próprio escritório [23]. O único "pecado" do médico era sua filiação política (ele era membro do Partido das Regiões e tinha sido nomeado para sua posição atual pela administração de Yanukovych).
Em 26 de março, o ex-prefeito de Mirgorod (na região de Poltava) e presidente do Conselho Municipal, Vasily Tretetsky, morreu no hospital depois de ser espancado e baleado por assaltantes em 16 de março [24].
Em 26 de março, ativistas do movimento social Avtodozor, juntamente com uma centena de militantes da Auto-Defesa de Maidan, piquetearam os escritórios dos bancos russos (VTB, Alfa, Sberbank da Rússia e Prominvest) na rua Kreshchatik, em Kiev, exigindo que eles fossem fechados; todas as suas divisões ucranianas foram nacionalizadas [25]. O edifício Sberbank foi apreendido e saqueado.
Em 1º de abril, o Serviço de Segurança Ucraniano revistou os apartamentos de ativistas pró-russos em Odessa. Em particular, eles vasculharam o apartamento pertencente a Alexei Albu, um deputado do Conselho Regional de Odessa. "Funcionários da SBU chegaram no meu apartamento às 8:00 am, abriram a porta e conduziram uma revista. Eles carregavam uma liminar do tribunal. Os agentes de segurança afirmaram que eles estavam procurando listas de militantes de nossa organização e também armas. No entanto, no final, eles foram obrigados a assinar uma declaração atestando que nada de ilegal foi encontrado no apartamento que vasculharam. " Alexei alega que ele tinha sido anteriormente convocado pelo serviços especiais ucranianos para uma "conversa".
A ’última e categórica carta de advertência’ enviado ao Rev. Alexander Shirokov pelos nazistas ucranianos incitando-o a parar com a " propaganda Moscovita ", sob a ameaça de morte.
As ameaças aos sacerdotes da Igreja Ortodoxa Russa também são lamentavelmente freqüentes na Ucrânia de hoje. O caso do Rev. Alexander Shirokov, perseguido pelo não-registrado Partido dos Trabalhadores Socialistas Nacionais da Ucrânia, tornou-se público graças à declaração especial do Ministro dos Assuntos Estrangeiros russo [26]. O grande número de outros, menos divulgados casos de pressão, impostos contra o sacerdócio pró-russo pelos elementos radicais e administrações locais leais às autoridades provisórias Kievanas centrais, estão a decorrer.
Dado este clima, a intelectualidade pró-russa na Ucrânia continua a emigrar em massa para a Rússia (e também para a Crimeia). De acordo com os dados mais recentes, mais de 30.000 pessoas foram obrigadas a fugir de seu próprio país, que foi tomado por nacionalistas.
Só podemos conjeturar quais são as fontes dos relatórios das organizações internacionais de direitos humanos, uma vez que documentam apenas as "violações" inexistentes cometidas por um lado – o dos russos –, ignorando completamente os casos de flagrante anarquia tão frequentemente encontrados na Ucrânia de hoje.
De qualquer forma, é claro que, em tais circunstâncias, as anunciadas eleições presidenciais ucranianas não poderão ser realizadas em algo parecido com uma atmosfera normal em 25 de maio, e nenhuma contagem de caixa de cédulas, durante essa crise, será reconhecido pela Rússia, o país do qual a maioria dos cidadãos da Ucrânia está dependendo.
[3] Dmytro Firtash é um empresário ucraniano, investidor e filantropo. Ele é chefe do Conselho de Diretores do Grupo DF (‘o grupo de empresas Firtash’) que consolida ativos da indústria química, do setor de energia e do setor imobiliário na Ucrânia, Alemanha, Itália, Chipre, Tajiquistão, Suíça, Hungria, Áustria e Estónia. Ele também é presidente da Federação de Empregadores da Ucrânia (FEU) e presidente do Conselho Social e Econômico Nacional Tripartite (NTSEC).
[5] Igor Kolomoisky é um oligarca de negócios israelo-ucraniano de origem judaica e o governador atual de Dnipropetrovsk Oblast. Um multimilionário, ele é avaliado como a segunda ou terceira pessoa mais rica da Ucrânia (após Rinat Akhmetov e/ou Viktor Pinchuk) desde 2006. Kolomoyskiy é o principal parceiro do Grupo Privat e presidente de fato do FC Dnipro Dnipropetrovsk.
[6] Victor Pinchuk é um empresário ucraniano e filantropo. Em março de 2012, a Forbes classificou-o no 255º lugar na lista das pessoas mais ricas do mundo, com uma fortuna de US $4,2 bilhões. Pinchuk é o fundador e principal proprietário do EastOne Group LLC, uma empresa internacional de consultoria de investimento, financiamento de projectos e financeira com sede em Londres, e de Interpipe, um do principais produtores de canos, rodas e aço da Ucrânia. Pinchuk é dono de quatro canais de televisão e um tablóide popular, Fakty i Kommentarii. Ele foi membro do Parlamento ucraniano, o Verkhovna Rada, por dois mandatos consecutivos, de 1998 a 2006. Ele é casado com Olena Pinchuk, filha do antigo presidente da Ucrânia Leonid Kuchma.
[7] Rinat Akhmetov é um empresário ucraniano e oligarca. Ele é o fundador e presidente da emprêsa Admistração de Capitais do Sistema (ACS) e está classificado entre os homens mais ricos do país. Akhmetov é também o proprietário e presidente do clube de futebol ucraniano Shakhtar Donetsk. Em 2006-2007 e 2012, Akhmetov foi membro do Verkhovna Rada (Parlamento) ucraniano para o Partido das Regiões.
Os juros são os lucros dos bancos sobre
o 'papel' que emprestam. Em outras palavras, se o governo imprimisse seu próprio
dinheiro, poderia emprestá-lo sem cobrar juros. Os juros internacionais são uma
roubalheira organizada. Vou postar em breve algumas traduções de artigos escritos
porexpertsno assunto.
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Renato Rabelo: Chantagens
e juros a 11% Renato Rabelo*,Vermelho,4
de abril de 2014 - 17h52
Que o país está sob chantagem, qualquer um
mais atento percebe.E o nível da chantagem
é diretamente refletido na taxa de juros que chegou ontem a seu maior patamar desde
o início do governo Dilma Rousseff. É a nona elevação seguida da Selic, agora fixada
em 11%. Intensifica-se a tentativa de desgaste do país e de desmoralização do nosso
governo.
A taxa Selic é apenas a ponta do iceberg de um longo processo.Durante os últimos três anos uma ampla campanha
midiática contra o governo e o país foi ganhando corpo. O mote da inflação é largamente
utilizado com direito a fabricação de determinados ambientes onde remarcação de
preços é uma consequência quase natural. Se o governo ainda consegue manter sob
controle um mínimo de investimento e uma inflação que não dispara, que se busque
outro alvo.
Pode ser o sistema elétrico brasileiro. Desde 2010 a lógica de torcida organizada
da oposição e da mídia por um apagão chega a ser trágico e deprimente. A utilização
pelo governo de seu poder de monopólio sobre as tarifas de energia desencadeou uma
reação desproporcional. Tirar dinheiro do tesouro para bancar a manutenção do funcionamento
energético do país virou sinal de “irresponsabilidade fiscal” como quem teria a
responsabilidade dada por alguma divindade para este tipo de operação seja o “mercado”,
ele mesmo visto como uma divindade.
O mesmo ocorre com a Petrobrás e a clara tentativa de reversão de rumo da empresa
iniciado em 2003 e, sobretudo, após a descoberta das reservas do pré-sal, os sucessos
subsequentes em matéria de captação de recursos, investimentos previstos e as amplas
possibilidades abertas pelo sucesso do leilão de Libra. O mesmo processo de descrédito
e difamação que um dia levou à privatização de empresas como a Usiminas, Telebrás
e a Companhia Vale do Rio Doce tem ocorrido com a Petrobrás. A história se repete
como farsa e tragédia: Dilma cair em pesquisas seguida de alta da Bolsa de Valores
de São Paulo (BOVESPA) diz muito. Diz, inclusive, que estamos no lado certo da história.
O aumento da taxa de juros é parte deste todo e do momento “faca no pescoço” que
o capital financeiro internacional tem imposto ao nosso país. O Brasil é muito grande
e importante para ficar de fora do banquete do rentismo. E não tenham dúvidas acerca
do caráter claramente político disto. Para esta gente Dilma deveria ser derrubada,
assim como todo e qualquer resquício de experiência de governos populares em nosso
continente.
Nesta história toda, não dá para brincar de analista “acima do bem ou do mal”. Todos
tem lado nesta contenda, ainda mais aqueles que buscam tentar uma posição aparentemente
neutra ou “jornalística”.
*Renato Rabelo é presidente nacional do Partido Comunista do Brasil (PCdoB)