14 de abr. de 2014

Sobre os benefícios sociais ao trabalhador no Brasil

Recebi um email recentemente (abaixo) e gostaria de comentar.  Acho que quem escreveu esse email está muito mal-informado/a.  Vivo na Inglaterra há mais de 20 anos, e gostaria de esclarecer alguns aspéctos para os brasileiros:

Os auxílios aos menos favorecidos são comuns em países como EEUU, Inglaterra, França, etc.Na Inglaterra, as categorias de auxílio são as seguintes:  job seekers benefit (por 6 meses), housing benefit, child benefit, disability living allowance, invalidity and incapacity benefit, council tax benefit  ( e há ainda alguns outros ‘presentes’:  winter fuel allowance, Christmas gift)  NINGUÉM VIVE NA MISÉRIA OU PASSA FOME, AQUI.


·      Na Inglaterra, a pessoa NECESSITADA pode requer auxílio EM UMA OU MAIS DAS CATEGORIAS ACIMA  (deve ir à repartição governamental adequada), e pode receber até R$8.000 / mes  (£2.000 /mes – o total não deve passar disso) de ajuda governamental (benefit).  Isso é MUITO MAIS do que os necessitados do Brasil recebem, não é?  ISSO É MUITO MAIS DO QUE UM TRABALHADOR ASSALARIADO, EM TEMPO INTEGRAL, GANHA NO BRASIL...

·      O SALÁRIO MÍNIMO, AQUI, É DE CÊRCA DE R$4100 / MES  (£1040 / MES), isto é, CÊRCA DE R$26,00 / HORA  (£6,50 por hora)!!!

Só recebem salário ‘mínimo’ aqueles que estão em trabalhos precários como:  tempo parcial, lavoura, aprendizes, diaristas, e outros de mesmo nível. 
AQUI, TODOS OS TRABALHADORES EMPREGADOS EM QUALQUER EMPREGO DE TEMPO INTEGRAL GANHAM MAIS DO QUE R$4100 / mes  (£1040 / mes)!

Isso é o que se chama de DESENVOLVIMENTO.  É por causa de BENEFÍCIOS SOCIAIS
E SALÁRIOS ELEVADOS que não há miséria aqui.

Pode-se até dizer que na Inglaterra – ou na Europa e nos EEUU – , sim, os direitos sociais seriam desnecessários – mas, o povo não pensa assim! 
NINGUÉM COMPRA VOTO, AQUI, CRIANDO DIREITOS SOCIAIS OU ACABANDO COM ELES – DIREITO É DIREITO!  TODO O POVO reconhece que, embora hoje nem todos precisem de ajuda, nunca se sabe o que pode acontecer no futuro...  SEGURANÇA E ESTABILIDADE são condições preciosas demais para se arriscar a perder...  Por que será que os brasileiros querem acabar com o pouco auxílio que têm?


CONCLUSÕES:

O problema não é o auxílio que o governo brasileiro dá aos mais pobres, mas sim os baixos salários que são pagos a todos os trabalhadores empregados!  A pessoa que escreveu o email abaixo deve com certeza ganhar muito pouco, ou não estaria reclamando...  Aliás, um zelador em regime integral de trabalho, aqui na Inglaterra, estaria ganhando PELO MENOS R$4100,00 por mes – e não estaria pensando em largar seu emprego para viver de benefícios sociais.  E se sua esposa também trabalhasse, em regime parcial de 20 horas por semana, ela estaria ganhando aqui cêrca de R$2000,00 / mes!

Está na hora de os brasileiros pararem de trocar esses emails idiotas, que atacam os poucos DIREITOS SOCIAIS que o povo brasileiro tem  (e que os partidos conservadores anteriores nem sonharam em criar!)...

Está na hora de os brasileiros pararem de se voltar contra os governos democráticos QUE ELEGERAM E QUE OS REPRESENTA.  Aliás, o presente governo é favorável ao aumento de seus salários;  mas, infelizmente, está sob pressões que o obrigam a ficar na defensiva ao invés de promover ainda mais melhorias a todos.

Está na hora de os brasileiros acabarem com a mentalidade de subdesenvolvidos que os faz tão mesquinhos e tolos, e começarem a reinvidicar
MAIS DIREITOS e MELHORES SALÁRIOS PARA TODOS, independente do partido no poder.

Está na hora de os brasileiros começarem a compreender o significado da democracia que está florescendo na América Latina  (e que estão colocando em risco com atitudes vergonhosas como a da pessoa que escreveu o email abaixo).

Está na hora de os brasileiros começarem a
LER MAIS E ESCREVER MENOS.

Democracia pode não ser a resposta a todos os problemas sociais do mundo;  mas, quando é exercida com sabedoria, com certeza ajuda!


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From:
Sent: Friday, April 11, 2014 3:29 PM
To:
Subject: O ZELADOR QUE PEDIU PARA SER DEMITIDO

O zelador de um prédio em Natal, RN, pediu à administração do condomínio onde trabalhava que fosse demitido.

Motivo:
Ele tem dois cunhados desempregados, lá mesmo em Natal, que, por conta da Bolsa Escola, Cartão Cidadão, Cartão Alimentação, Vale-Gás, Transporte Gratuito, Vale-Refeição e demais benefícios do nosso governo, dados a título de esmola, vivem melhor do que ele.

Fizemos umas continhas:

Bolsa Escola: R$175,00 para cada filho que freqüente as aulas (2 filhos) = R$350,00
Cartão Cidadão: (cujo intuito é restituir a cidadania) = R$350,00
Vale-Gás: (um por mês) = R$70,00
Transporte: (4 passagens diárias) R$8,00/dia x 20 dias = R$160,00
Vale Refeição: (um por dia) R$ 3,50/dia x 30 dias x 4 pessoas = R$420,00

Total em dinheiro ........................................................................  = R$700,00
Total em serviços ........................................................................  = R$650,00
TOTAL MENSAL ............................................................................  = R$1.350,00

Observações:
1. O salário do zelador, acrescido de horas extras, girava em torno de R$830,00/mês.

2. Todos esses benefícios estão estabelecidos na *LEI No 10.836, de 09 DE JANEIRO DE 2004*.
Como o zelador tem três filhos em idade escolar, para ele é vantajoso ficar desempregado e ter esses "benefícios".
Seu 'salário como desempregado' irá girar em torno de R$1.525,00, quase o dobro do que ganha trabalhando. 

Sabe quem paga por isso? 'NÓS', os 'OTÁRIOS'!
Por que você acha que o Nordeste, em peso, votou no Lula?

PORTANTO

Trabalhem duro, porque milhões de pessoas que vivem do Fome-Zero e do Bolsa-Família, sem trabalhar, dependem de você!

E agora também vai ter a Bolsa Celular e a Bolsa Cultura (R$50,00 por mês para irem ao cinema)!!!
ESSES SÃO OS ELEITORES COMPRADOS PELO PT QUE NÓS ESTAMOS SUSTENTANDO!!!

10 de abr. de 2014

Sobre Carteira de Trabalho assinada

Empregada doméstica no Brasil é um costume enraizado na sociedade. Parece que todo mundo precisa de uma – até as empregadas têm uma ‘ajudante’! Talvez, com a nova lei que prevê o pagamento de multa de um salário mínimo caso o empregador não assine a Carteira de Trabalho do empregado doméstico, o Brasil comece a modernizar um pouquinho nessa área, também... Afinal, quem não quer – ou não pode – pagar os direitos dos trabalhadores, não deve ter empregados.

Para os empregados domésticos, a lei é boa;  mas, há patroas/patrões que não vão gostar, por algum motivo e, por isso, alguns trabalhadores talvez percam seus empregos.

Há pelo menos quatro possíveis reações dos empregadores:
1.    Para os mais endinheirados, ou para aqueles que respeitam os direitos trabalhistas dos empregados domésticos e, portanto, já pagam por tais direitos, essa lei não vai fazer diferença.  Na verdade, eles vão aplaudí-la.
2.    Para os menos endinheirados, que não pagam direitos trabalhistas mas que precisam de ajuda e têm empregada à qual pagam os menores salários possíveis, talvez seja preciso achar outra outra solução para seus problemas domésticos, talvez dependendo menos da empregada ao levar as crianças a uma creche, por exemplo, ou contratando uma faxineira uma vez por semana, encomendando marmitas...
3.    Para os que, podendo ou não, NÃO QUEREM PAGAR NEM UM CENTAVO A MAIS para a ‘burra de carga’ que faz todo o serviço da casa, essa lei NÃO vai pegar pois vão dizer à coitada da empregada que ‘se quiser o emprego, tem que ser SEM carteira assinada’.  Essa mentalidade ocorre geralmente entre aqueles que têm sonhos de ascenção social e por isso se sentem ameaçados quando vêm que outras pessoas também começam a ter seu lugar ao sol.  Essa mentalidade ocorre também entre aqueles que acham que o governo ‘corrupto’ do Brasil tem ‘estragado’ os trabalhadores ao criar leis que atendem seus direitos mais básicos.
4.    Para quem não precisa de empregada, mas tem uma pra poder ‘descansar um pouquinho’, essa lei talvez ajude a mudar de vida e a começar a cuidar de seus próprios afazeres sem recorrer ao trabalho alheio.  Talvez seja melhor esquecer o descanso  (preguiça?) e começar a arregaçar as mangas...
Eu não tenho empregada há 26 anos e moro em casa de 4 quartos, 2 salas grandes, 3 banheiros...  Hoje, somos apenas dois e trabalhamos em casa e em tempo parcial;  mas houve época em que éramos quatro e, até recentemente, trabalhávamos em tempo integral.  Nossa casa está lotada de objetos;  mas, aprendi a não agir de forma doentia em questão de limpeza – tiro o pó da mobília e limpo o chão, os tapetes e os banheiros apenas uma vez por semana ou quando necessário –, e meu maridão ajuda de vez em quando!  Cozinho o melhor que posso – não compramos alimentos processados e, como fazemos uma dieta livre de glúten, faço em casa pão e bolos com farinha especial, sem glúten.  A roupa é lavada na máquina  (e cada um passa a sua a ferro).  Trabalho bastante, é claro, mas me sinto bem quando o faço, sinto que contribuí de alguma forma para com a nossa existência – e sobra muito tempo pra fazer outras coisas!



Empregadores pagarão multa por não assinar carteira de doméstico
Agência Brasil, 09/04/2014 10h09
Brasília
Carolina Sarres - Repórter da Agência Brasil.   Edição:  Graça Adjuto

A presidenta Dilma Rousseff sancionou a lei que prevê o pagamento de multa de um salário mínimo, atualmente R$ 724, caso o empregador não assine a Carteira de Trabalho do empregado doméstico.  A Lei 12.964 foi publicada hoje (9) no Diário Oficial da União.  A possibilidade de pagamento de multa em caso de infração passa a valer em agosto deste ano, 120 dias após a publicação desta quarta-feira.

A nova legislação inclui um dispositivo que dispõe sobre a
profissão de empregado doméstico, da década de 70.  Segundo o artigo adicionado, as multas e os valores estabelecidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para os demais trabalhadores passarão a valer também para os domésticos, caso o empregador não anote na Carteira de Trabalho a data de admissão e a remuneração do funcionário.

De acordo com a CLT, uma empresa – ou, no caso do trabalhador doméstico, o empregador – que não registrar em carteira a contratação terá de pagar um salário mínimo por funcionário não registrado. A multa dobra caso haja reincidência.

Conforme entendimento da Justiça do Trabalho, um empregado doméstico tem de exercer atividades em determinada residência pelo menos três vezes por semana para que seja estabelecido o vínculo empregatício e passem a valer as regras trabalhistas.  Caso contrário, trata-se de diarista, em que não há obrigatoriedade de formalização por meio de Carteira de Trabalho.

4 de abr. de 2014

Como alcançar a paz mundial

Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, o governo doa EEUU tem sido responsável pela morte de milhões de pessoas em todo o mundo ao atacar países militarmente incapazes de se defenderem, usando a desculpa de estar a defender-se contra as ameaças do comunismo ou contra ataques de inimigos.

A verdadeira razão de tantos ataques é que o Império Americano está tentando manter-se no topo desde que tornou-se a maior potência mundial após a Segunda Guerra Mundial. Manter o resto do mundo sob seu controle tornou-se sua atividade principal. Assim, a possibilidade de que outros países venham a se desenvolver ou a tornar-se competidores, ou a possibilidade de que venham a ter governos genuinamente democráticos ou socialistas e, portanto, hostís ao imperialismo, tornaram-se nas principais ameaças que os EEUU vêem à sua soberania.

No artigo abaixo, o jornalista Finni Cunningham faz um apêlo ao povo dos EEUU para que mudem a política externa do país como forma de transformar a realidade de terror em que a maioria dos povos do mundo vive, sob as ameaças desse país. Este talvez seja um apêlo ingênuo – tendo em vista o controle ideológico da mídia sobre os americanos –; entretanto, levanta a possibilidade de discutir-se o papel daquele país no mundo em que vivemos.

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Como os americanos podem ajudar a paz mundial
Por Fini Cunningham, BSNEWS

Um primeiro passo para a paz mundial é o povo americano controlar seu governo imprudente no cenário internacional e pará-lo de trazer miséria para tantos.

People hold a banner reading "Barack Obama, Chief of the Permanent War" as they protest against the visit of US President Barack Obama near the US Embassy in Rome on March 27, 2014.
Pessoas seguram uma bandeira onde está escrito "Barack Obama, Chefe da Guerra Permanente" enquanto protestam contra a visita do Presidente dos EEUU, Barack Obama, perto da Embaixada dos EUA em Roma, em 27 de março de 2014

Os americanos precisam tanto de governo democrático quanto o resto do mundo precisa se livrar do policial global xucro de Washington.

Isto pode vir como um choque para muitos americanos comuns que tendem a pensar que seu país já é o farol da luz democrática para o mundo, concedendo todos os tipos de benevolência para os outros. Esse "excepcionalismo americano" tão delirante tem que acabar. Os Estados Unidoa da América só é especial em um aspecto muito negativo. Desempenha um papel central em fomentar conflito em quase todos os cenários que cuidemos de olhar.

Vemos este nefasto papel dos EUA na interminável farsa israel-palestins, conhecida como "processo de paz". Na realidade, esse processo nada mais é do que uma contínua luz verde para o regime israelense cometer ousadaviolação das leis internacionais contra o sofrido povo palestino.

O Secretário de Estado dos EUA John Kerry esta semana correu para o regime israelense alegadamente para exortar seu primeiro-ministro Benjamin Netanyahu a se envolver com os palestinos. Para muitos americanos comuns, conforme dito em seus meios de comunicação, Washington está atuando como um infeliz pacificador entre dois adversários implacáveis. Errado.

Os EUA é mimando, como sempre o fêz, um regime israelense sistematicamente criminoso, que continua a construir assentamentos ilegais em violação dos princípios de Genebra e de Nuremberg, e que está renegando compromissos passados para liberar incondicionalmente milhares de prisioneiros palestinianos como parte do acordo de Oslo assinado há mais de 20 anos.

Washington não faz nada, nada, para impedir essa afronta israelense à humanidade. Na verdade, os EUA são totalmente coniventes com esses crimes contra a humanidade ao financiar o regime israelense na ordem de US $3 bilhões anualmente.

Essa bajulação por Washington foi enfatizada também esta semana pelo Chefe do Exército dos Estados Unidos Martin Dempsey que estava visitando seu homólogo israelense Benny Gantz. Fotografias dos chefes militares sorridentes, dias depois de Israel ter matado civis em ataque aéreo em Gaza, falam da relação real, e mostram inequivocamente de qual lado Washington está no que se refere a esse sofrimento em massa há décadas. Nunca haverá paz na Palestina – por causa de Washington.

Enquanto isso, vemos também o papel hostil dos Estados Unidos em um novo alargamento do conflito entre Coreia do Norte e do Sul. Os dois países esta semana trocaram fogo ao vivo em sua fronteira marítima, acompanhado de avisos de guerra. Mais uma vez, os EUA se colocam aqui como uma espécie de "mediador honesto" de paz entre as duas partes beligerantes.

No entanto, apenas algumas semanas atrás, Norte e  Sul haviam começado um acordo mútuo inovador para permitir visitas de família entre as duas metades separadas da península coreana, que foi dividida desde o fim da guerra civil em 1953.

Previsivelmente, essa iniciativa de paz pequena, mas significativa, foi interrompida por causa dos jogos de guerra nos quais os EUA e seu aliado sul-coreano embarcam a cada ano. Esses exercícios militares envolvem ensaios provocantes de invasão da Coreia do Norte, liderada pelos EUA. No ano passado, os exercícios implicaram no sobrevoo de bombardeiros de armas nucleares dos EEUU sobre o território norte-coreano.

Durante a guerra da Coréia de 1950-53, a parte norte da península foi bombardeada impiedosamente pelos aviões de guerra dos Estados Unidos, até o ponto onde as pessoas foram forçadas a viver em cavernas profundas nas montanhas a fim de sobreviver ao ataque. Hoje, os chamados jogos de guerra americanos não são nenhum assunto insignificante para os norte-coreanos que perderam milhões de pessoas na incineração americana do passado.

Passadas seis décadas, os EUA reclamam o direito de impor seu poder militar sobre a Coréia sob o pretexto de ser "pacificador" e "protetor". O fato é que as duas Coreias provavelmente reverteriam à justiça natural de um país unificado se Washington empacotassem seu espectro militar gigante e fossem pra casa.

Claro, os EUA não vão fazer isso porque a verdadeira razão para sua presença na Coréia é projetar seu poder militar sobre a região Ásia-Pacífico, em especial sobre a China. Esta presença perniciosa, irracional de militares americanos na região também conduz às tensões recorrentes entre a China e os países vizinhos, incluindo Japão, Filipinas e Vietnã.

De volta para o Oriente Médio, a catástrofe humanitária da Síria é o resultado da luta pela mudança de regime liderada pelos EUA naquele país. Como o membro superior da OTAN e principal patrocinador militar da Arábia Saudita e de outras ditaduras monárquicas do Golfo Pérsico, que estão a armar os mercenários estrangeiros a saquear aquele país, Washington é o principal agente a prolongar o conflito na Síria. Este banho de sangue está em seu quarto ano e reclamou mais de 130.000 vidas. Proporcional à população, o número de mortes seria equivalente a mais de 1,7 milhões de cidadãos americanos, se a Síria fosse de alguma forma patrocinar uma guerra de terror secreta dentro dos Estados Unidos.

A tolerância americana dos déspotas árabes do Golfo Pérsico é também a razão por que as pessoas de Bahrein continuam a ter seus direitos democráticos esmagados, e por que milhares de pessoas, de sua pequena população, definham em masmorras de tortura.

Planos dos EUA, como revelado pelo General Martin Dempsey esta semana, de trazer os déspotas árabes para formar uma aliança militar mais próxima a Israel inevitavelmente levarão a mais tensões e conflito na região em direção ao Irã. Isto levará previsivelmente a mais falsas alegações sobre ambições nucleares iranianas, que por sua vez levará à continuação das sanções ofensivas contra o Irã. Em suma, esta é uma fórmula para conflito perpétuo no Golfo Pérsico como patrocinado por Washington. E, claro, perpétuas vendas de armas americanas.

Finalmente, nós podemos notar o papel dominante, negativo desempenhado pelos Estados Unidos em alimentar tensões entre a Europa e a Rússia na questão da Ucrânia. Como revelado em uma coluna anterior, o raciocínio estratégico de Washington desde o fim da Segunda Guerra Mundial tem sido para garantir a separação de Moscou dos outros Estados europeus. Trata-se de preocupações americanas implícitas sobre o comércio de energia combustível, influência política e militar, e a sobrevivência do falido dólar como moeda de reserva mundial.

A operação de mudança de regime instigada por Washington na Ucrânia no final de fevereiro, que resultou em uma junta fascista não eleita subindo ao poder em Kiev, criou a pior crise diplomática entre a Europa e a Rússia por décadas. Os EUA parecem determinados a aumentar as tensões com seu estridente pedido de sanções econômicas contra o governo do Presidente Putin e o aumento das forças militares da OTAN a cercar a Rússia.

Poderíamos adicionar mais provas, tais como o atual incitamento dos EUA de violência na Venezuela; e seu apoio contínuo, crucial para a junta militar no Egito, que derrubou a democracia, no ano passado, quando depôs o Presidente eleito, Mohamed Morsi, e que desde então causou milhares de mortes nos últimos nove meses, incluindo centenas de apoiantes da Irmandade Muçulmana sendo condenados à morte em ultrajantes julgamentos fantoches.

O fato preocupante para muitos americanos é que o mundo seria um lugar melhor, muito mais pacífico se apenas seu governo gastasse mais tempo e recursos cuidando das onerorosas necessidades sociais de seu próprio país. Escusado será dizer, a América seria também um lugar muito melhor para os seus cidadãos.

Mas este resultado eminentemente razoável não acontecerá nas presentes circunstâncias, porque o governo dos EUA depende de sua capacidade de criar conflito imperialista no exterior.

Esse fato simples, desprezível sobre a verdadeira natureza do governo dos EUA não vai mudar até que o povo americano mude radicalmente a natureza fundamental da política e da economia de seu país, começando com a expulsação dos plutocratas dos grandes negócios dos dois partidos majoritários.

Os americanos precisam descobrir a verdadeira democracia, não a versão do Mickey Mouse com a qual têm sofrido lavagem cerebral. Então, o mundo poderá começar a conhecer a paz.



Fini Cunningham (nascido em 1963) tem escrito extensivamente sobre assuntos internacionais, com artigos publicados em várias línguas. Ele é formado e tem mestrado em química agrícola e trabalhou como editor científico para o Royal Society of Chemistry, Cambridge, Inglaterra, antes de seguir carreira no jornalismo. Ele também é músico e compositor. Há quase 20 anos, trabalhou como editor e escritor em grandes organizações, incluindo The Mirror, Irish Times e Independent. Originalmente de Belfast, na Irlanda, ele agora está localizado no leste da África como jornalista freelance, onde está escrevendo um livro sobre Bahrein e a Primavera Árabe, com base em sua experiência como testemunha ocular, trabalhando no Golfo Pérsico como editor de uma revista de negócios e, posteriormente, como correspondente de notícias freelance. O autor foi deportado de Bahrein, em junho de 2011, por causa de seu jornalismo crítico no qual destacou as violações sistemáticas dos direitos humanos pelas forças do regime. No momento, é colunista de política internacional para Press TV e Strategic Culture Foundation.

1 de abr. de 2014

A OTAN caminha para o leste

Reproduzo abaixo importante artigo traduzido do inglês.

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WikiLeaks, Ucrânia e OTAN
Uma implacável marcha à porta da Rússia

por Conn Hallinan,
CounterPunch, 13 de março de 2014

É a ocupação russa da Crimeia um caso de expansionismo agressivo por Moscou ou visa a bloquear um esquema da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) para chegar até a fronteira ocidental da Rússia? WikiLeaks revelou um
comunicado secreto descrevendo uma reunião entre diplomatas franceses e americanos que sugere a segunda possibiliadde, um plano que está em obras desde 2009, pelo menos.

Intitulado "Reunião de A/S Gordon com decisores políticos em Paris", o cabo resume uma reunião de 16 de setembro de 2009 entre Philip Gordon, então Secretário de Estado Adjunto para Assuntos Euro-Asiáticos e Europeus da UE, e diplomatas franceses Jean-David Levitte, Damien Loras e Francois Richier. Gordon é atualmente um Assistente Especial do Presidente Obama sobre o Oriente Médio.

Enquanto a maior parte do cabo cobre uma troca de opiniões sobre o Irã, o ante-penúltimo item é intitulado "Alargamento da OTAN e Conceito Estratégico." Nesse ponto, Levitte, antigo embaixador francês para os Estados Unidos, de 2002 a 2007, faz uma intervenção dizendo que o "Presidente [francês] [Nicholas] Sarkozy estava 'convencido' de que a Ucrânia um dia seria um membro da NATO, mas que não havia nenhum ponto em apressar o processo e antagonizar a Rússia, particularmente se o povo ucraniano estava em grande medida contra a integração." Gordon continua a parafrasear a opinião do Levitte de que, "a declaração do Encontro de Bucareste foi muito clara de que a OTAN tinha uma porta aberta e de que a Ucrânia e a Geórgia tinham uma chance na OTAN".

Levitte é atualmente um associado do conservador Instituto Brookings.

No encontro da NATO na România, em abril de 2008, os Estados da Croácia e Albânia foram convidados a juntar-se à NATO — eles o fizeram em 2009 — e adiou-se uma decisão sobre a Geórgia e a Ucrânia até dezembro de 2008. Mas, em agosto, forças georgianas atacaram a província separatista da Ossétia do Sul — possivelmente sob a ilusão de que a OTAN viriam em seu auxílio — desencadeando uma curta e desastrosa guerra com a Rússia. A votação sobre a Geórgia e a Ucrânia foi engavetada por causa dessa guerra e por causa de uma sondagem Gallup indicando que 40 por cento dos ucranianos consideravam a NATO uma ameaça, enquanto apenas 17 por cento tinham uma visão favorável da Aliança.

O movimento da OTAN para estender a Aliança à fronteira com a Rússia é controverso pois viola o espírito, se não a letra, de um acordo de fevereiro de 1990 entre então o líder soviético Mikhail Gorbachev, o Secretário de Estado americano James Baker, e o Chanceler Helmut Kohl da Alemanha.

A questão na época era a Alemanha e a OTAN. Nos termos do tratado feito ao fim da Segunda Guerra Mundial, os soviéticos tinham o direito de manter tropas no leste da Alemanha. Os EUA e os alemães estavam tentando negociar uma reunião das duas Alemanhas que removeria as 380.000 tropas soviéticas no leste, enquanto mantendo as forças dos EUA e da OTAN no Ocidente.

Os russos estavam dispostos a retirar suas tropas;  mas, somente se as forças de Estados Unidos e a OTAN não preenchessem o vácuo. No dia 9 de fevereiro, Gorbachev disse a Baker que "qualquer extensão da zona da OTAN seria inaceitável." Baker garantiu-lhe que a "jurisdição da OTAN não passaria uma polegada para o leste."

À reunião Baker-Gorbachev seguiu-se, no dia seguinte, uma reunião entre Gorbachev e o Chanceler da Alemanha Ocidental Helmut Kohl, que garantiu ao líder soviético que "naturalmente, a NATO não poderia expandir seu território" na Alemanha Oriental. E, em uma reunião paralela entre o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha Hans-Dietrich Genscher e o Ministro Soviético dos Negócios Estrangeiros Eduard Shevardnadze, Genscher disse a Shevardnadze que "para nós, fica garantido:  a OTAN não expandirá a leste."

Mas, nenhuma das garantias foram colocadas por escrito e, como a União Soviética começou a implodir, o acordo foi ignorado e as forças da OTAN mudaram-se para a antiga Alemanha Oriental. Apesar da queixa do Presidente russo Boris Yeltsin de que a marcha para o leste da OTAN "violava o espírito" do acordo, a Rússia não estava em posição de fazer nada sobre isso.

Como o ex-editor da Nova República, Peter Beinart, observa em
The Atlantic, a decisão de expandir a OTAN foi considerada "imprudentemente provocadora" por um número de peritos em política externa.  Como o eminente historiador da Guerra Fria John Lewis escreveu,"Historiadores — normalmente tão controversos — estão atípicamente de acordo:  com muito poucas exceções, eles vêem o alargamento da OTAN como irreflectido, inoportuno e acima de tudo mal adequado às realidades do mundo do pós-Guerra Fria. "

Mas, com a Rússia severamente enfraquecida, o triunfalismo da Guerra Fria tomou conta:  o Presidente Bill Clinton levou a OTAN à guerra na Jugoslávia em 1995, e colocou tropas na Bósnia. Em 1997, Polônia, Hungria e República Checa juntaram-se à OTAN, seguidos por sete países do bloco soviético, incluindo as antigas repúblicas soviéticas da Letônia, Lituânia e Estônia em 2004.  A "Parceria para a Paz" da OTAN foi expandida para incluir as antigas repúblicas soviéticas da Ucrânia, Cazaquistão, Moldávia, Geórgia, Arménia e Azerbaijão.

A recente oferta de "resgate" à Ucrânia pela União Europeia continha uma cláusula que teria atado Kiev à organização militar da UE.

Em suma, os russos têm a sensação de que estão cercados por forças hostis, um fato que os críticos dos movimentos de Moscou na Criméia devem lembrar-se.

O perigo de empurrar uma aliança militar até as fronteiras de um potencial adversário ficou claro nesta semana quando a OTAN começou a
enviar forças aos países bálticos e à Polônia, e os EUA enviaram um míssil destroyer ao mar Negro.

O Pentágono anunciou que estava enviando caças-bombardeiros F-16 e caças F-15 para a Polônia e os Estados bálticos, bem como aviões de transporte C-130 e aviões-tanques RC-135. No caso da Letônia, da  Lituânia e da Estônia, isso irá resultar em um aumento nas forças da OTAN na fronteira norte da Rússia.

O USS Truxtun é um destroyer da classe Arleigh Burke armado com mísseis de cruzeiro e mísseis Harpoon. Mísseis de cruzeiro podem transportar uma ogiva nuclear. De acordo com a Marinha dos EUA, a missão Truxtun não tem nada a ver com a crise na Ucrânia,  ela está simplesmente realizando manobras conjuntas com as minúsculas marinhas romenas e búlgaras.

É improvável que o USS Truxtun esteja a procurar por problemas ou que os F-15s e os F-16s estejam a dar uma de galo com os MIGs e os Sukhois russos;  mas, erros acontecem, particularmente quando as tensões são elevadas. É exatamente a situação atual que Gorbachev estava tentando evitar em 1990, e por que a implacável marcha da OTAN em direção ao leste coloca mais do que a Ucrânia em perigo.


Traduzido por
Marisa Choguill

*Conn Hallinan pode ser lido em dispatchesfromtheedgeblog.wordpress.com e middleempireseries.wordpress.com 

29 de mar. de 2014

EEUU pretendem o isolamento da Rússia

No mundo do capital, o isolamento da Rússia é uma missão impossível. Entretanto, tudo indica que os EEUU estão dispostos a tudo para manter sua hegemonia. Confira.
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O "escudo"da nova Guerra Fria
Washington está tirando vantagem de sua derrota na Ucrânia: está fazendo os europeus se isolarem economicamente da Rússia, e já está impondo sobre eles a expansão de sua cobertura de míssil. Enquanto os meios de comunicação ocidentais focam na narrativa de eventos da OTAN (a assim chamada " anexação militar" da Criméia), a Aliança está implantando silenciosamente seu aparato imperial.


por Manlio Dinucci, REDE VOLTAIRE, Roma (Itália), 22 de março de 2014



O vice-presidente Joe Biden fez uma rápida visita à Polônia e a Estônia para garantir que, em face de "incursão desavergonhada da Rússia" na Ucrânia – um país determinado a construir "um governo para o povo" (garantido pelos neo-nazistas [1] que alçaram o poder pelo golpe de estado do "novo Gladio" [2]) –, os Estados Unidos reiteram o seu firme compromisso em conformidade com o Artigo 5º do Tratado do Atlântico Norte na "defesa coletiva". Como a Ucrânia é agora um membro de fato, mas não oficial, da OTAN, há sempre um "não-Artigo 5º", incitando membros a "executar missões em evolução não descritas nos termos do Artigo 5º", que foi promovido pelo governo italiano de Massimo D’Alema durante a guerra da OTAN na Iugoslávia em 1999, e mais tarde também aplicado para as guerras no Afeganistão, na Líbia e na Síria.

Para ajudar "a OTAN a emergir desta crise mais forte... do que ’nunca’", os Estados Unidos retomaram seu compromisso com a "defesa contra míssil" da Europa. No entanto, correlacionando a "defesa contra mísseis" à crise ucraniana, Joe Biden entregou o jogo. Washington manteve persistentemente que"escudo" dos EUA na Europa não é dirigido contra a Rússia, mas contra a ameaça dos mísseis iranianos. Em Moscou, pelo contrário, isso foi sempre entendido como uma tentativa de ganhar uma vantagem estratégica decisiva sobre a Rússia: os EUA poderiam manter isso sob a ameaça de um primeiro ataque nuclear, contando com a capacidade do "escudo" para neutralizar os efeitos de retaliação.[3]  O novo plano lançado pelo Presidente Obama, em comparação com o anterior, prevê um maior número de mísseis alinhados às portas da Rússia. Desde que estão sob controle dos EUA, ninguém pode descobrir se eles são interceptores ou mísseis nucleares.

Tendo rejeitado a proposta para gerenciar em conjunto com a Rússia a estação de radar de Gabala no Azerbaijão, os Estados Unidos começaram a construir na Polônia o local que hospedará 24 mísseis SM-3 do sistema Aegis. Além disso, o governo polaco comprometeu-se a dispor de mais de 30 bilhões euros para alcançar (com tecnologias dos EUA) o seu próprio "escudo" destinado a se integrar à estrutura dos Estados Unidos e da OTAN. E Joe Biden aplaudiu a Polônia pela sua disponibilidade a assumir "parte dos encargos financeiros, algo que todos os aliados devem fazer" (a Itália considerada). Outro local de míssil 24 SM-3, atualmente em construção na base aérea Deveselu na Romênia, vai se tornar operacional em 2015 e vai ser comandado por 500 soldados americanos. Essas instalações de mísseis compõem um super poderoso radar instalado na Turquia e radares móveis que pode ser rapidamente transportado para "posições avançadas".

O "escudo" também inclui a implantação no Mediterrâneo de navios de guerra equipados com radares e mísseis Aegis SM – 3. O primeiro – um míssil destróier USS Donald Cook – chegou no início de fevereiro na Base Naval de Rota, na Espanha, onde 1.200 marinheiros e 1.600 membros das suas famílias serão eventualmente alojados. Será seguido por outras três unidades (USS Ross, USS Porter e USS Carney). Mas é provável que o número será maior, pois a Marinha dos EUA já tem cerca de 30 desses navios. Eles patrulham continuamente o Mediterrâneo, prontos a entrar em ação a qualquer momento, conduzindo ao mesmo tempo, de acordo com a OTAN, "uma gama completa de operações de segurança marítima e exercícios bilaterais e multilaterais com as marinhas aliadas". A Marinha Espanhola já tem quatro fragatas equipadas com o sistema de combate integrado Aegis, o que os faz inter-operacionais com os navios dos EUA. O mesmo será feito com o Fremmfrigates da marinha italiana.

Um papel cada vez mais importante no "escudo" será desempenhado pelas diretivas e bases os EUA e da NATO na Itália: em Nápoles, casa do quartel-general dos EE e das forças navais aliadas; na Sicília, onde se situa a Estação Naval e Aérea Sigonella (que atenderá as unidades Aegis no Mediterrâneo); além do Sistema Objetivo Móvel do Usuário (Mobile User Objective System – MUOS), em Niscemi [4], para comunicações por satélite de alta freqüência. Todas as unidades navais Aegisno Mediterrâneo, novamente de acordo com a OTAN, estarão "sob o comando e o controle dos EUA." Isto significa que a decisão de lançar o míssil interceptador, presume-se, será prerrogativa exclusiva do Pentágono.

Enquanto prepara o "escudo", os EUA afiam suas facas. Para a crise ucraniana, eles implantaram outros 12 bombardeiros F-16na Polônia e outros 10 F-15 na Estônia, Letônia e Lituânia. Em breve, eles serão capazes de transportar as novas bombas nucleares B61-12 armazenadas na Europa (incluindo a Itália), para ser usadas como abrigo contra bombas Bunker. Moscou está tomando medidas defensivas, mas Washington marcou o primeiro ponto: a crescente tensão na Europa permite que os Estados Unidos aumentem sua influência sobre seus aliados europeus.

Com o Artigo 5º ou o não-Artigo 5º.

Tradução
Marisa Choguill

NOTAS:

[1] “Quem são os nazis no governo ucraniano?”, por Thierry Meyssan, Traduction Alva, Rede Voltaire, 5 de Março de 2014.

[2] « Le nouveau Gladio en Ukraine », par Manlio Dinucci, Traduction Marie-Ange Patrizio, Il Manifesto (Italie), Réseau Voltaire, 18 mars 2014.

[3] « Le bouclier antimissile et la première frappe », par Manlio Dinucci, Tommaso di Francesco, Traduction Marie-Ange Patrizio, Il Manifesto (Italie), Réseau Voltaire, 12 mars 2010.

[4] « Muos : Niscemi résiste à l’Empire », par Manlio Dinucci, Traduction Marie-Ange Patrizio, Il Manifesto (Italie), Réseau Voltaire, 21 mai 2013.

Síria, Ucrânia... O que pode acontecer, agora?

Até quando os ataques contra a Rússia vão continuar? Esta é uma pergunta que muitos têm feito, e a possibilidade de uma guerra termonuclear chegou até mesmo a ser sugerida.
No artigo abaixo, outras sugestões são feitas. Confira.
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Confronto global após Síria e Ucrânia
Ghaleb Kandil, REDE VOLTAIRE, Beirute (Líbano), 26 de março de 2014 



O que aconteceu na Ucrânia é um golpe de estado preparado pelos serviços de inteligência ocidentais para modificar o novo equilíbrio global, que ameaça a hegemonia americana unilateral. O objetivo é testar as possibilidades para frear a ascensão da Rússia – como uma potência rival dos Estados Unidos – e da aliança internacional em total desenvolvimento econômico, defendendo o estabelecimento de novas regras, com base em uma parceria justa e equilibrada, incluindo potências emergentes, Rússia, Irã, China, África do Sul, Índia, Brasil e outros países.

A visão estratégica americana, que foi usar a superioridade militar, econômica e tecnológica para evitar o aparecimento de um poder rival, teve inicio um quarto de século atrás. Essa visão foi desenvolvida em um relatório do Conselho Americano de Segurança Nacional e totalmente analisada e comentada pelo grande cientista francês Alain Joxe em seu livro O Mercenário Americano, que evoca a arrogância da guerra para punir estados, governos e movimentos hostis à hegemonia americana no mundo.

A invasão do Iraque, em 2003, foi vista por muitos analistas como uma demonstração de força para assustar os adversários, com base em uma violação flagrante da Carta das Nações Unidas, uma organização que os estrategistas americanos queriam destruir e substituir pela OTAN como a estrutura a conduzir o mundo.

Deve-se recordar neste contexto que os adversários dos Estados Unidos evitaram, na época, o confronto. Somente a Síria, em conformidade com seus princípios nacionalistas árabes, se opôs à invasão do Iraque. Com o Irã e a Resistência, Damasco se opôs a três grandes guerras iniciadas pelos Estados Unidos contra o Líbano e Gaza através do exército israelense.

A nova agressão colonialista americana contra a Síria quebrou-se na determinação do estado sírio, seu exército, e amplas camadas da população, sob a liderança do Presidente Bashar al-Assad. Este espírito de resistência permitiu à Rússia, ao Irã e aos países dos BRICS estabelecer novas equações globais. Eles forçaram Washington a abandonar seu plano para atacar a Síria, a negociar com o Irã, e a reconhecer seu papel regional. Essas novas equações foram consolidadas graças ao empenho do Hezbollah no combate aos Takfiristas mercenários, enviados à Síria de 60 países, como reconheceu, sábado, o Rei Abdullah II da Jordânia. Todos estes desenvolvimentos forçaram os Estados Unidos a retornar à parceria internacional e ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, bloqueado pelo veto sino-russo para conter os planos dos EUA. Confrontados pela determinação da Rússia, do Irã e da China, os Estados Unidos não conseguiram impor sua visão de uma parceria sob a sua direção.

É neste contexto que o plano de provocação direta e agressão contra a Rússia foi implementado na tentativa de atar as mãos do poder imperial em seu quintal. O enredo provocou uma resposta russa à mesma escala, através da anexação da Criméia, após um referendo popular. Esta resposta rápida frustrou o plano americano para dobrar Moscou e permitir a Washington impor a lógica de uma parceria global sob sua direção.

A crise ucrâniana abre caminho para um confronto em escala global, como parte de uma nova Guerra Fria contra a arrogância dos Estados Unidos, à espreita por trás de uma Europa fraca e dividida, especialmente a Alemanha cujos interesses nacionais diferem de muitos dos seus parceiros europeus.

Após a Rússia ter feito seus interesses nacionais prevalecerem contra o plano colonialista dos EUA, o Ocidente continua suas provocações através de sanções e contínuas tentativas de penetrar na esfera de influência russa, ao tentar expandir a OTAN para antigas repúblicas soviéticas.

Perante esta abordagem agressiva, o Presidente Vladimir Putin, apoiado por uma esmagadora parte do povo russo e outros de língua russa, implementou seu plano estratégico para a reunificação da Rússia histórica, de acordo com seu discurso diante do Duma [NT: Parlamento]. Isto significa que o Império Russo está determinado a confrontar o Ocidente até que este se resolva a recuar e a aceitar as regras da nova parceria internacional equilibrada defendida por Moscou.

A Rússia histórica se estende para além das fronteiras geográficas da antiga União Soviética e inclui todos os estados da Europa ortodoxa eslava. Especialistas europeus sabem que Moscou também está a olhar para a Grécia.

O sucesso da Rússia passa necessariamente por seu apoio contínuo à Síria e ao fortalecimento de sua aliança com esse país, cuja resistência aos aviões ocidentais permitiu a Moscou adotar posições sólidas e fortes contra os Estados Unidos e seus aliados.

As escolhas e os instrumentos que a Rússia pode trazer em seu confronto com o Ocidente são muitos. Eles vão desde o uso de seu poder econômico, vantagens demográficas devido à presença de milhões de russos nas ex-repúblicas da União Soviética, e treinamento com os parceiros do BRICS em uma frente econômica, política e estratégica adotando uma estrutura de banco capaz de lidar com a hegemonia americana. E se o equilíbrio nuclear é uma garantia para evitar o confronto direto entre a Rússia e a América, guerras regionais, em estados satélites, não estão excluídas. Isto é o que está acontecendo na Síria há três anos e que pode ser estendido a outras partes do mundo.

Tradução
Fonte

A importância histórica da Crimeia para a Rússia

O artigo abaixo, publicado originalmente na REDE VOLTAIRE, relata a importância histórica da Crimeia para a Rússia. Não se trata apenas do que ocorreu há mais de mil anos, mas do que ocorreu em tempos recentes também, incluindo a Guerra da Crimeia em meados do século XIX, o ataque nazista na Segunda Guerra Mundial, e mais recentemente  a anexação gradual das antigas repúblicas soviéticas à OTAN, que teve como objetivo enfraquecer e cercar a Rússia. A OTAN foi criada em 1949, durante o período da Guerra Fria (1945-1991), para fazer frente ao Pacto de Varsóvia, organização militar socialista criada com o objetivo de defender as União das Repúblicas Socialistas Soviéticas contra incursões ocidentais. Após a queda da União Soviética, em 1991, o Pacto de Varsóvia foi dissolvido; entretanto, a despeito de um acordo com os países ocidentais para a concomitante dissolução da OTAN, essa organização continua a existir, tendo expandido sua atribuição de exercer influência nas decisões geopolíticas que afetam os interesses dos EEUU e países aliados. O golpe de estado na Ucrania é apenas o ataque mais recente do ocidente a fim de conter a Rússia.

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O que significa a Crimeia para a Rússia?

REDE VOLTAIREMoscou (Rússia), 29 de março de 2014


A Crimeia não é um território estrangeiro para a Rússia, que de repente decidiu se juntar a ela. Ela é um elemento essencial da sua história, sem a qual a Rússia hoje não poderia existir. Oriental Review lança uma luz sobre a ligação física que os une.



Em 18 de março de 2014, o presidente russo Vladimir Putin fez um discurso histórico sobre a reunificação da Crimeia e da Rússia. Um referendo realizado na Crimeia dois dias antes, em plena conformidade com os procedimentos democráticos e as regras do direito internacional, chocou a muitos por seus resultados: houve 82% de participação, com quase 97% das pessoas lançando seus votos a favor da reunificação com a Rússia. Esses números foram tão surpreendentes que ainda parece haver muitas pessoas no Ocidente que não conseguem acreditar no quanto os crimeanos verdadeiramente desejavam ‘voltar para casa’. E, de fato, sem a consciência da história heróica de nesta terra que tem sido tão liberalmente lavada no sangue Russo, esse entusiasmo público pode parecer irracional, ou mesmo artificial.



Batismo de São Vladimir, o Grande Príncipe, em Quersoneso em 988 AD (ícone).

Entender por que eles fizeram essa escolha requer um olhar cuidadoso sobre o que a Rússia sempre significou para a Crimeia, e vice-versa. Essa história e orgulho comuns emanam literalmente de cada lugar e objeto na Crimeia. A antiga cidade grega de Quersoneso, onde em 988 AD São Vladimir, o Grande Príncipe de Kiev, foi batizado, foi fundada aqui. Seria difícil exagerar a importância que essa lendária região detém para a Rússia. A colônia foi criada na península da Crimeia pelos antigos gregos, 500 anos antes do nascimento de Cristo. Os passos de Santo André, um dos discípulos originais de Jesus, que é conhecido como ’o apóstolo da costa sul, leste e norte do mar Negro’, encontram-se aqui. Crimeia é o lugar onde o sangue do apóstolo São Clemente, discípulo de Pedro, foi derramado para Cristo, consagrando a logo-a-ser-criada Rus’ cristã [Rus’ é uma abreviação comum de Rússia] , e aqui os apóstolos eslovenos São Cyril e São Methodius pregaram o evangelho. A conversão do Príncipe Vladimir ao cristianismo na cidade de Quersoneso na Crimeia pavimentou o caminho para a civilização russa e constituiu-se numa contribuição inestimável para a cultura e a história do mundo.

No décimo século, príncipes russos fundaram o Principado de Tmutarakan, nas margens dos mares Negro e Azov, na costa da Crimeia, na Península de Kerch, juntamente com a cidade de Korchev (agora conhecida como Kerch). Este foi o período histórico durante o qual os eslavos da Rus’ Kievana [nome dado à federação de tribos eslávicas do este europeu, de fins do século IX a meados do século XIII; Rus’ é o nome da região ethno-cultural do este europeu habitada por eslavos do este – historicamente, compreende a parte norte da Ucrânia, o noroeste da Russia, Belarus e algums partes dos países vizinhos: Finlândia, estados Bálticos, Polônia e Eslováquia. - NT] gradualmente fincaram raízes em toda a Crimeia. Foi na velha Crimeia, em Sudak, Mangup e Quersoneso que os eslavos constituíram-se na parte mais significativa da população.

Tmutarakan rapidamente tornou-se o segundo porto mais importante do mundo, depois de Constantinopla, através do qual passaram quase todas as rotas de comércio dos séculos XI-XII que cruzaram o mar ou a estepe. O filho do Grande Príncipe Vladimir, Mstislav, que governou o Principado até 1036, consolidou e expandiu suas fronteiras. No final do século X, os remanescentes do restaurado Reino Bizantino de Bósforo foram incorporados ao Principado. Mais tarde, uma laje de mármore foi encontrada na Península de Taman, com uma inscrição datando de 1068:

"No verão de 6576 [desde a criação do mundo, o que corresponde ao ano de 1068 - NR], o Príncipe Gleb mediu, através do mar congelado, de Tmutarakan a Korcheva, 14.000 sazhen [que é de cerca de 28 km - NR]".

Como o povo de Cuman cada vez mais invadia a Rus’ no final do século XI, Tmutarakan praticamente foi cortada da Rus’ Kievana e perdeu sua independência, em cêrca de 1094, encontrando-se sob o domínio dos cumanos, de Bizâncio, da Horda Dourada, Gênova e Turquia.

Imperatriz russa Catarina, a Grande. 

No final do século XVIII, a Imperatriz Catarina, a Grande, lutou para ver a Crimeia retornar à Rússia. Foi o domínio do Império Russo sobre a Crimeia que resgatou as ruínas de Quersoneso, tão sagrada para a história da Rússia, do completo esquecimento. A Imperatriz, com a disposta assistência do Príncipe Grigory Potemkin, é lembrada por ter fundado uma base naval, que foi nomeada de Sebastopol, no porto de Musa (agora conhecido como Baía de Sebastopol). A história de Sebastopol conta a notável história da bravura militar e da coragem russas.

Sebastopol, Balaclava, Kerch, Malakhov Hill e Sapun Ridge são marcos que encarnam glória militar russa e verdadeiro heroísmo. Cada um deles tem sido banhado no sangue de soldados que lutaram corajosamente para defender um futuro de paz. Os 349 dias da heróica defesa de Sebastopol, durante a guerra da Crimeia, serão para sempre comemorados nas histórias da Rússia e destes dois povos afins, como será a defesa de 250-dias da cidade durante a Segunda Grande Guerra.

Os exércitos da Grã-Bretanha, França, Turquia e Sardenha (Itália) invadiram a península da Crimeia em 1854. No dia 13 de setembro, essa cidade, que nunca antes havia enfrentado agressão de qualquer outra direção mas do mar, encontrou-se sob cerco. Fortificações e baterias de armas foram construídas sob o fogo dos inimigos que detinham uma vantagem esmagadora em tropas e canhões. A defesa da cidade foi dirigida pelo comandante da frota do mar Negro, Almirante Vladimir Kornilov e seus subordinado, Vice-Almirante Pavel Nakhimov. Cinco navios de guerra foram afundados para impedir que o inimigo entrasse no porto de Sebastopol, e tripulações e canhões navais chegaram para se juntar aos defensores. A tenacidade e o fervor patriótico dos soldados russos, marinheiros e habitantes da cidade surpreendeu o mundo. No dia 5 de outubro, os invasores começaram o primeiro bombardeio de Sebastopol, durante a qual as defesas da cidade não sofreram grandes perdas, mas o Almirante Kornilov foi ferido mortalmente. O centro da defesa foi então deslocado para Malakhov Hill. Em 28 de março de 1855, os invasores começaram um segundo ataque. Embora à custa de um grande número de baixas, eles conseguiram pressionar as nossas posições. O terceiro e o quarto assaltos terminaram da mesma forma que os ataques anteriores; mas, em 28 de junho, o Vice-Almirante Nakhimov morreu durante uma troca de tiros. O General francês Jean-Jacques Pélissier, o comandante das forças aliadas, foi ordenado por Napoleão III a capturar a fortaleza, independentemente do custo. Depois do quinto (!) e igualmente mal sucedido (!) ataque, as forças aliadas começaram a se preparar para um ataque decisivo sobre as fortificações russas já meio-destruídas. O sexto e último assalto em Sebastopol começou em 27 de agosto. A barragem envolveu oito divisões francêsas e cinco britânicas, além de uma brigada da Sardenha – um total de 60.000 combatentes – que lutou contra 40.000 russos, muitos dos quais haviam sido desviados para a linha de fundo da defesa. O destino da batalha ia de um lado para o outro. Os franceses foram capazes de capturar e manter Malakhov Hill. Por ordem do comandante geral, Mikhail Gorchakov, os defensores recuaram para o lado sul de Sebastopol, explodindo os paióis de pólvora e afundando os restantes navios. Esta aparente derrota em Sebastopol minou a força das tropas dos invasores, e eles foram obrigados a concordar com as negociações de paz em condições que eram muito diferentes daquelas que haviam esperado no início da guerra. A defesa de Sebastopol – a página mais brilhante da história da guerra da Crimeia – mais uma vez demonstrou o espírito incansável do soldado russo e sua capacidade de lutar, mesmo nas condições mais difíceis de cêrco, quando parecia não haver nenhuma chance de escape.

Depois de 87 anos, um novo cêrco e novamente uma defesa heróica e espírito incansável aguardavam Sebastopol. Tropas nazistas invadiram a Crimeia em 20 de outubro de 1941 e, em 10 dias, atingiram a periferia de Sebastopol. A cidade não havia sido preparada com antecedência para defender-se de uma abordagem por terra, mas a tentativa de tomá-la imediatamente, pelos alemães e romenos, não teve êxito. A obstinada defesa de Sebastopol começara. Fortificações de campo foram construídas enquanto os combates ocorriam, e o fornecimento de suprimentos e reforços, e a evacuação de feridos e civis podiam ser feitos exclusivamente pelo mar, muitas vezes sob ataques inimigos. No dia 4 de novembro, todas as forças soviéticas uniram-se no interior da zona defensiva da cidade. Em 11 de novembro, com significativa superioridade de tropas e artilharia, o inimigo lançou uma ofensiva. Após batalhas ferozes e sofrendo pesadas baixas, os alemães deixaram seus ataques frontais em 21 de novembro e passaram a cercar a cidade. No dia 17 de dezembro, sete divisões de infantaria alemãs e duas brigadas romenas, ultrapassando de longe em número as forças russas, lançaram uma nova ofensiva com o apoio de tanques. Os ataques foram repelidos com o apoio da artilharia naval, e outras incursões foram frustradas quando as tropas russas desembarcaram em Kerch e Feodosia. Além disso, ao forçar os alemães a desviar o 11º Exército de Wehrmacht para Feodosia, que estava sitiando a cidade sob o comando do General Erich von Manstein, os batalhões de defesa regional de Sebastopol começaram uma ofensiva parcial, melhorando sua posição em março de 1942.

Pintura de Alexander Deyneka, "A Defesa de Sebastopol" (1942).

A partir de 27 de maio, Sebastopol foi submetida a bombardeio incessante e ataques aéreos. Na manhã de 7 de junho, o inimigo lançou um ataque punitivo contra todo o perímetro da zona defensiva. Após uma feroz batalha, as tropas russas abandonaram Malakhov Hill em 30 de junho. Mas, a resistência continuou na periferia da cidade devastada. A batalha prosseguiu até 4 de julho, e até 9 de julho em algumas áreas. A maioria dos defensores da cidade foi morta ou feita prisioneira, com apenas alguns conseguindo chegar às montanhas para se juntar aos partidários. A defesa de 250 dias de Sebastopol, apesar de seu trágico fim, mostrou ao mundo que os soldados russos e marinheiros eram capazes de sacrifícios incríveis.

Nos corações e mentes do povo, a Crimeia sempre foi parte integrante da Rússia. Essa crença, baseada na verdade e na justiça, tem sido inabalável. E tem sido transmitida de geração a geração sem consideração de tempo ou circunstância. Mesmo as mudanças dramáticas vividas pela Rússia durante o século XX foram impotentes para alterar essa convicção. Teria sido impossível para qualquer um imaginar como a Ucrânia e a Rússia poderiam ser dois Estados diferentes. Mas, então, a União Soviética se dissolveu. Os eventos progrediram tão rapidamente que poucos na época compreenderam todo o drama do desenrolar dos acontecimentos e suas consequências. E quando, de repente, a Crimeia se tornou parte de outro país, a Rússia sentiu que não só tinha sido roubada, mas saqueada. Milhões de russos foram para a cama em um país e acordaram no dia seguinte em outro, transformados em minorias dentro das ex-repúblicas soviéticas. Assim, a nação russa se tornou uma das maiores, se não a maior nação dividida do mundo. Mas a população foi incapaz de digerir esta flagrante injustiça histórica. Durante anos, as pessoas comuns, bem como muitas figuras públicas, frequentemente, levantaram essa questão, alegando que a Crimeia era terra russa e Sebastopol era uma cidade russa. Há 23 anos, a Crimeia manteve sua alma russa e cada crimeano passou esse tempo a esperar ansioso que a península ‘voltasse para casa’, para a Rússia. E agora aconteceu – para euforia geral, lágrimas de felicidade e alegria tão esperada –: um triunfo da justiça histórica!

Crimeanos celebrando a reunificação com a Rússia, 18 de março de 2014.

Tradução
Marisa Choguill

Fonte
Oriental Review

13 de mar. de 2014

Diplomacia? Talvez, um dia...

Estou reproduzindo o artigo abaixo (traduzido) pois apresenta uma visão contrária àquela apresentada pela mídia comercial no Brasil.  Precisamos estar alertas para manipulações dessa mídia, que faz constante lavagem cerebral nos menos avisados...
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Estados Ocidentais em Pé-de-Guerra bloqueiam a diplomacia sobre a Ucrânia
Fini Cunningham, Strategic Culture Foundation, 13.03.2014

Os EUA e seus aliados europeus estão se movendo cada vez mais imprudentemente em direção a uma guerra com a Rússia em conseqüência da crise na Ucrânia.  Manobras militares, retórica inflamatória e a preparação de sanções econômicas contra a Rússia estão criando um impulso grave para o confronto – um que se opõe até mesmo a um mínimo de opções diplomáticas para tentar resolver as tensões crescentes.

Washington e Bruxelas estão condenando a Rússia por «agressão» e «violação» do território ucraniano sem a menor devida consideração para o contexto político da crise, ou para os direitos legais da Rússia de defender os interesses nacionais na República da Crimeia sob um acordo bilateral de longa data.

O Secretário de Estado dos EUA John Kerry, no começo desta semana, rejeitou um convite do seu homólogo russo, Sergei Lavrov, para realizar uma reunião urgente em Moscou.  Em vez disso, com entusiasmo perturbador, Washington enviou caças, aviões espiões, navios de guerra e tropas para a países bálticos, Polônia, Romênia, Bulgária e ao longo da fronteira da Ucrânia.

O Congresso dos EUA votou esta semana para condenar a Rússia e impor uma série de sanções a menos que as forças militares russas se retirem da Ucrânia.  Semelhantes iniciativas para impor sanções contra Moscou foram feitas pelos líderes da Grã-Bretanha, França e Alemanha.  O Ministro dos Negócios estrangeiros francês, Laurent Fabius, disse que as sanções poderiam ser implementadas dentro de dias, enquanto o premier britânico, David Cameron, deu sinal verde para que aviões de reconhecimento da RAF se juntem às forças da OTAN na Polônia.

Enquanto isso, Washington e seus aliados da OTAN declararam que um iminente plebiscito a ser realizado na Crimeia neste fim de semana, para decidir se a república autônoma deve separar-se da Ucrânia e juntar-se à Federação Russa, seria «ilegal».  Essa oposição arbitrária à autodeterminação da Crimeia pelas potências da OTAN está em sintonia com a visão apresentada pelas novas autoridades, apoiadas pelo Ocidente, em Kiev, que também denunciaram a declaração de independência do Parlamento da Crimeia.

Assustadoramente, as potências ocidentais estão evitando qualquer caminho para uma solução diplomática.  Washington e Bruxelas estão impondo exigências impossíveis para Moscou cumprir.  E ainda, apesar dessa truculência, Washington está acusando o presidente russo Vladimir Putin de não demonstrar seriedade em engajar-se em um discurso diplomático.

Não é Putin que não é sério sobre diplomacia.  É Washington e seus aliados da OTAN.

Para começar, a Rússia não «anexou» a Crimeia como o oeste provocativamente afirma.  Sob o acordo bilateral militar entre a Rússia e a Ucrânia, é permitido legalmente a Moscou ter até 25.000 tropas na península da Crimeia, anexadas à base naval de Sebastopol, que é a sede da frota russa do mar Negro.  A Rússia paga por essa autorização uma taxa anual de US $100 milhões.  O acordo foi renovado em 2010 por mais 25 anos.  Então, como pode Rússia anexar um território onde tem legalmente o direito de estar presente?

Ausente em quaisquer declarações ocidentais está o reconhecimento do fato de que o Parlamento da República Autônoma da Crimeia fez um pedido oficial para a proteção militar russa de sua população majoritária, de etnicidade russa, na sequência da agitação violenta em Kiev.  Essa agitação levou à derrubada de um governo eleito em 22 de fevereiro por auto-declarados neo-nazistas e paramilitares brandando ameaças anti-russas.  Posteriormente, em outras partes do leste da Ucrânia, como nas cidades de Donets e Kharkov, vários cidadãos pró-russos foram baleados por homens armados desconhecidos nas ruas, e muitos outros foram feridos em confrontos.

Os ultimatos ocidentais a Moscou para retirar as forças de segurança da Crimeia neste contexto perigoso e volátil, portanto, não são apenas juridicamente infundados;  os ultimatos são uma demanda provocante para a Rússia renunciar a seus interesses nacionais numa área que é contígua com as fronteiras da Rússia e que tem séculos de história partilhada e herança.  Será que o Ocidente realmente espera que Moscou fique de braços cruzados enquanto a vida de seus compatriotas está ameaçada?  Não temos que imaginar muito o que Washington, Londres ou Paris fariam em uma situação semelhante.

Além disso, é a demanda feita por Washington e Bruxelas, de que Moscou envolva-se em conversações com o novo regime em Kiev, que é especialmente insustentável.  O mais alto diplomata dos EUA, John Kerry, e outros líderes ocidentais dizem que Moscou não está demonstrando seriedade para com a diplomacia porque o governo russo se recusa a dialogar com Kiev.  Isso equivale ao Ocidente forçar a Rússia a reconhecer legalmente o grupo apoiado pelo Ocidente que tomou o poder do Presidente eleito Viktor Yanukovych, em Kiev, no final do mês passado.

Essa é uma demanda irracional feita pelas potências ocidentais.  A Rússia tem todo o direito de negar seu reconhecimento da soberana legalidade e legitimidade dos governantes auto-nomeados em Kiev.  A evidência é incontestável de que o novo regime, liderado por Arseniy Yatsenyuk e o assim-chamado presidente interino Oleh Turchynov, chegou ao poder através da violência e intimidação maciça das autoridades titulares eleitas.  Há também evidência perturbadora de que muitas das mortes entre os manifestantes e policiais durante as manifestações de Maidan foram realmente causadas por atiradores trabalhando secretamente para a oposição.  Tais alegações devem ser investigadas por uma Comissão Internacional, e não postas de lado e ignoradas enquanto os alegados autores de assassinato em massa são celebrizados como «incipiente governo» da Ucrânia.

Moscou se opõe profundamente ao governo auto-declarado em Kiev, fortemente composto de neo-nazistas do partido Svoboda, como sendo inconstitucional, se não criminoso.  Sua ascensão ao poder é legalmente definida como um golpe de estado usando a violência e o terrorismo.  Como explicado por Wayne Madsen e outros comentaristas, o golpe de estado em Kiev é o resultado da secreta desestabilização ocidental na Ucrânia, desde o início dos anos 90, com o objetivo expresso de orquestrar mudança a um regime pro-ocidental.  Essa mudança de regime é destinada a dar acesso irrestrito aos recursos ucranianos pelo capital ocidental e a expandir o cerco da Rússia por militares da OTAN.

Washington e seus aliados da OTAN estão, portanto, pedindo à Rússia uma concessão política impossível ao exigir que Moscou conceda reconhecimento oficial a um regime totalmente ilegal e hostil em Kiev.

A recepção concedida ao auto-proclamado primeiro ministro de Kiev, Arseniy Yatsenyuk, pelo Presidente dos EUA, Barack Obama, na Casa Branca, esta semana, não é apenas uma celebração tendenciosa de ilegalidade;  é uma afronta descarada à Rússia como uma grande potência internacional.

Coincidência ou não, o presidente auto-proclamado, Oleh Turchynov, também teve um espaço no New York Times, esta semana, em uma coluna de opinião na qual ele denunciou mais uma vez a «agressão» russa e, ironicamente, acusou Moscou de agir como «piratas somalis» ao se referir à recente ação russa de segurança na Crimeia.

Essa ofensiva americana de alto nível em relação à Rússia mostra um desrespeito grosseiro para com o protocolo e as normas de relações internacionais.

O acúmulo militar rápido em curso pela NATO, do Báltico ao mar Negro;  a recusa mordaz em se engajar no discurso diplomático sobre as verdadeiras causas da instabilidade na Ucrânia;  o adereço dos usurpadores do poder em Kiev, por Washington e Bruxelas – são todos sinais sinistros de que as potências ocidentais estão forçando, desenfreadas, um confronto com a Rússia.

Essa ação rápida no lugar da
diplomacia, dos Estados Unidos em particular, tem ressonâncias com como eles rejeitaram imprudentemente as políticas alternativas para as guerras no Afeganistão e no Iraque em 2001 e 2003, e com o Iraque antes da primeira guerra do Golfo em 1991.

Tudo isso poderia ser o blefe de um jogo selvagem por Washington, no Last Chance Saloon, na tentativa de intimidar a Rússia para que se submita à OTAN.  Mas o que é preocupante é que a intoxicação de Washington, com sua própria arrogância e ilegalidade, cria uma situação altamente perigosa em que blefar bloqueia qualquer alternativa à ação destrutiva.

6 de mar. de 2013

O Presidente Hugo Chávez se foi...

Reproduzo abaixo artigo em Carta Maior:
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A hora e a vez de Hugo Chávez


Agora que Chávez não existe mais, o que permanece é o chavismo.  Até então, o oposicionismo venezuelano enfrentava um líder carismático de carne e osso.  A partir de agora, enfrentará uma lenda.  A análise é de Antonio Lassance.
Antonio Lassance*, Carta Maior, 06/03/2013

A morte do presidente Hugo Chávez, na Venezuela, será chorada por muitos e comemorada por poucos.  Neste momento em que grande parte da mídia internacional dedica seu tempo a falar mal do líder morto e torce para que ele permaneça a sete palmos debaixo do chão, seria bem melhor tentar entender Chávez enquanto figura política.

O fenômeno político que na Venezuela era conhecido pelo nome de Hugo Chávez transcende aquele país, na medida em que nos traz à lembrança uma série de questões de primeira ordem para a compreensão da relação que o povo estabelece com a política.  Por exemplo, os fenômenos em que a liderança política encarna um processo de ascensão popular que caracteriza o que pode ser chamado de democracia plebiscitária.

Chávez suscita ainda questões como a do papel da liderança carismática, na qual a supremacia de uma orientação política é calcada no heroísmo e no sacrifício - como fez Vargas, no Brasil.  Chávez mostrou, de forma categórica, o quanto o nacionalismo permanece como a grande ideologia política de nosso tempo - como fez Allende, no Chile.  Sua alcunha de "comandante" e sua patente de tenente-coronel eram a prova incontestável da forte presença dos militares na política latino-americana e de sua propensão bonapartista, ou seja, de se firmar acima de tudo e de todos como solução política dramática e enérgica, em momentos de crise profunda e de desgaste da política tradicional - assim como fez Perón, na Argentina.

Indo ainda mais longe, cai como uma luva, pelo desfecho trágico da trajetória de Chávez e pela comoção que se avoluma na Venezuela, a comparação com Júlio César - o romano e o shakespeariano.  O cesarismo é, para Chávez, uma analogia perfeita para entender o que este presidente foi para a Venezuela e o que pode esse país tornar-se após essa morte.

O cesarismo de Chávez se afirmou em três dimensões.  Assim como César, Chávez foi responsável pela dissolução da política aristocrática e pela popularização do poder, no sentido de que a sorte dos governantes passava a depender não de instituições sólidas e regras rígidas do jogo político; não de coalizões claramente organizadas em partidos; não mais de disputas com resultados previsíveis.  Com Chávez, a política passava a extrair seus resultados do poder de mobilização popular de seu líder. 

O azar da oposição venezuelana foi jamais ter produzido alguém minimamente capaz de disputar com Chávez de igual para igual.  Essa medíocre oposição jamais conseguiu produzir um líder popular com a gama de atributos ostentada por Chávez.

O segundo aspecto é a visão heróica e grandiosa do poder.  O bolivarianismo de Chávez e sua retórica latino-americanista eram bem mais que retórica.  Eram a intenção verdadeira de encarnar um projeto de afirmação regional daquele país e a busca por um protagonismo continental que a Venezuela vez por outra acalentou, desde Simon Bolívar.  A rivalidade chavista aguçava as diplomacias continentais, favoráveis ou contrárias ao seu projeto de Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (Alba). 

Chávez foi muitas vezes um espantalho, aparentemente inofensivo em seu poder de fogo, mas bastante eficiente em sua tarefa de atiçar os adversários com seu sul-americanismo antiamericano.  Diante do espantalho, os que a ele faziam oposição caíram no erro de se comportar exatamente como corvos.

O terceiro aspecto é o do destino trágico.  A morte de César foi aguardada e comemorada pelos que supunham que seu desaparecimento levaria junto, pra o túmulo, a pessoa e o que ela representava.  Mas, assim como na tragédia romana, o destino da Venezuela passa a estar umbilicalmente ligado aos desdobramentos do chavismo.  Agora que Chávez não existe mais, o que permanece é o chavismo, como Gilberto Maringoni antecipou recentemente em
artigo na Carta Maior
.

O velório de Chávez é, no mínimo, o primeiro comício da campanha presidencial venezuelana.  A depender do desenrolar dos fatos, pode ser o primeiro ato da institucionalização de um novo regime, erigido à sombra de sua liderança sacralizada.  Até então, o oposicionismo venezuelano enfrentava um líder carismático de carne e osso.  A partir de agora, enfrentará uma lenda.

*Antonio Lassance é cientista político e pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).  As opiniões expressas neste artigo não refletem necessariamente opiniões do Ipea.

Adeus, Presidente Hugo Chavez... Sentiremos sua falta...


A morte prematura do President Hugo Chávez foi um grande choque... Ele era admirado em todo o mundo por suas qualidades como estadista. Por isso, sentiremos sua falta.
Estamos ao lado do povo venezuelano, neste momento, esperando que escolha com sabedoria o sucessor de seu grande líder.Esperamos também que o vazio criado pela morte desse grande líder não resulte em instabilidade e retrocesso no continente latino-americano.  Há outros grandes líderes na região, e devemos confiar em sua sabedoria e determinação para levar adiante a luta pela auto-determinação do povo latino-americano. O Presidente Hugo Chávez será lembrado para sempre, assim como Che Guevara!  Prosseguiremos sua gloriosa luta!


Hasta la victoria, siempre!

9 de fev. de 2013

DANGEROUS FOODS

ALL GRAINS should be ELIMINATED from your diet – they contain gluten or similar substances, lectins and phytates that damage your health because they are highly inflammatory:
eliminate wheat  (it is present in bread, pasta, biscuits, cakes, pita bread, breaded foods such as beef a Milanese, beer – look for gluten-free beer – , processed soups, couscous, semolina, etc.),
eliminate corn,
eliminate oats,
eliminate barley (malt),
eliminate rye (rye bread),
eliminate breakfast cereal
, etc.

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BE VERY CAREFUL WITH FRUTOSE –  they are highly inflammatory:
fruit juices,
canned fruits...


OBS: fruits – such as apples, pears, dates, etc. – should ONLY be eaten in SMALL PORTIONS. Oranges are safer.

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BE VERY CAREFUL WITH MOST LEGUMES [leguminosas, em português] – they contain lectins and phytates that damage your health because they are highly inflammatory; there are special ways to ferment legumes before consumption, but industrialized products are NOT properly fermented:
soybean (
soy milk, non-dairy creamer, industrialized tofu, soy meat, etc.),
lentils,
peas,
peanuts,
canned beans and chickpeas
, etc.

OBS: beans can be eaten safely if you soak them in salty for at least 24 hours (48 hours are better) before PRESSURE COOK them for at least 30 minutes to break up the toxins.

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BE VERY CAREFUL WITH POLYUNSATURATED FATS (PUFAS):
margarine, which is the worst kind of fat as it is highly processed: hydrogenated oil under high temperature and pressure,
sunflower oil,
corn oil,
canola oil,
sesame seed oil,
pumpkin oil, etc.

OBS: to be safe, use ONLY coconut oil for cooking and raw olive oil in salads, etc. Any oil cooked in a high temperature until it steams becomes polyunsaturated or trans fat.


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BE VERY CAREFUL WITH GM FOOD
Do you know what a GMO (Genetically Modified Organism) is?
It is an organism with different properties then those of natural organisms. Some of those properties can be very dangerous. For example, GM corn has a property that makes it resistant to RoundUp, a powerful weed killer and a cancerous product. When RoudUp is spread in a plantation of GM corn, the weeds die; but, the GM corn survives. The problem is that RoundUp impregnates the corn and, if we eat it, we also eat RoudUp. Since most GM foods are also RoundUp resistant, GM foods are a NO, NO!