25 de nov. de 2010

Entrevista do Presidente Lula com blogueiros

Aconteceu ontem pela manhã a aguardada entrevista do Presidente Lula com os blogueiros progressistas, em Brasília.  Foi transmitida ao vivo, on-line.  Esta blogueira foi uma dos cerca de 7.000 blogueiros que estavam 'ligados' assistindo a esse acontecimento inédito ao vivo.

Altamiro Borges reproduziu em seu blog a íntegra da entrevista com o Presidente Lula:  veja aqui.  Ou assista ao vídeo aqui.

Foi um momento emocionante.  Como Rodrigo Vianna diz:

'Não sei se os leitores têm dimensão do que isso significa:  quebrou-se o monopólio.  Internautas puderam perguntar, via twitter.  O mundo da comunicação se moveu.  Foi simbólico o que vimos hoje.

A velha mídia vai seguir existindo.  Ninguém quer acabar com ela.  Mas já não fala sozinha.  Ao contrário:  Estadão, UOL e outros ficaram ligados na entrevista com o presidente.  Entrevista feita por blogueiros que Serra, recentemente, chamou de “sujos”.  Os sujinhos entraram no jogo…

Foi só o primeiro passo.  Caminhamos para a diversidade.  O que é muito bom.'

Veja parte do artigo de Rodrigo Vianna abaixo:

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Lula avisa: “serei blogueiro e tuiteiro” (parte do artigo)

Rodrigo Vianna, Escrevinhador, 24 novembro 2010

A dinâmica da entrevista não foi a ideal, certamente.  Mas era a única possível: só uma pergunta por entrevistado, sem possibilidade de réplica, para que os outros blogueiros pudessem perguntar também (em coletivas “convencionais”, repórteres brigam pelas perguntas, atropelam uns aos outros muitas vezes; os blogueiros combinaram de agir de outra forma).

Além disso, faltaram as mulheres (só Conceição Oliveira entrou, via twitcam).  Fizeram muita falta.

Mas o importante é registrar o fato histórico:  blogs sem ligação com nenhum portal da internet foram recebidos pelo Presidente da República numa coletiva hoje cedo, no Palácio do Planalto.  E os portais tradicionais (quase todos) abriram janelas na capa para transmitir a entrevista – ao vivo.

Não sei se os leitores têm dimensão do que isso significa:  quebrou-se o monopólio.  Internautas puderam perguntar, via twitter.  O mundo da comunicação se moveu.  Foi simbólico o que vimos hoje.

A velha mídia vai seguir existindo.  Ninguém quer acabar com ela.  Mas já não fala sozinha.  Ao contrário: Estadão, UOL e outros ficaram ligados na entrevista com o presidente.  Entrevista feita por blogueiros que Serra, recentemente, chamou de “sujos”.  Os sujinhos entraram no jogo…

Foi só o primeiro passo.  Caminhamos para a diversidade.  O que é muito bom.

Quanto ao conteúdo, importante registrar que Lula anunciou: quando “desencarnar” da presidência (expressão repetida várias vezes durante a coletiva), vai entrar na internet.  “Serei blogueiro, serei tuiteiro”.

O presidente deixou algumas questões sem resposta.  Não explicou de forma convincente dois pontos:  por que Brasil não abre arquivos da ditadura?  E porque Paulo Lacerda foi afastado da PF e da ABIN depois da Satiagraha?  Sobre esse último ponto, Lula chegou a dizer:  “Tem coisas que não posso dizer como presidente da República.“

Hum… Frustrante.  O mistério ficou.  Paulo Lacerda contrariou quais interesses?

Os blogueiros não perguntaram sobre Reforma Agrária.  Falha grave.  Nem sobre saúde.  E sobre política externa ninguém falou;  felizmente, Lula desembestou a falar sobre o tema (mesmo sem ser perguntado), contando um ótimo (e divertido) bastidor sobre as conversas dele com o líder iraniano.

Natural que muitas perguntas tenham se concentrado na questão das comunicações.  É essa a batalha que move os blogueiros.  Mas ainda bem que surgiram também outros temas, como Direitos Humanos, jornada de trabalho, fator previdenciário, Judiciário, composição do Supremo.

Numa coletiva para a velha mídia, a pauta certamente seria diferente.  Haveria mais perguntas sobre a composição do ministério de Dilma, sobre guerra cambial.  Mas aí seria uma coletiva da velha mídia.  Papel dos blogueiros foi trazer outros temas ao debate.

Poderíamos ter feito melhor, sem dúvida.  Da próxima vez, deveríamos debater melhor a composição da bancada de entrevistadores.  Fiquei um pouco frustrado, também, porque havia a promessa de uma segunda rodada de perguntas.  Mas não houve tempo.  Parte do jogo.

Importante é que esse canal está aberto.

Tentei, durante a entrevista, resumir o que Lula ia falando.  Um resumo falho em vários pontos.  Mas serve como uma primeira leitura.

Veja o restante deste artigo no blog Escrevinhador, de Rodrigo Vianna.

24 de nov. de 2010

Manipulações da mídia

Diz-se que manipulação e controle da opinião não são privilégio da mídia;  que, em conversas entre amigos, sempre tem um que procura 'fazer a cabeça' dos outros.  Mas, isso faz parte do processo interativo quando pessoas com diferentes pontos de vista se relacionam e trocam idéias.  Deve-se lembrar, entretanto, que interações pessoais não comprometem a sociedade como um todo pois envolvem um pequeno número de pessoas e ocorrem esporadicamente.

Quando tratamos de meios de comunicação de massa, que alcançam milhões de pessoas assiduamente, de forma repetitiva, manipulação e controle se tornam assunto muito sério – se tornam assunto de lei.  É por isso que os GOVERNOS DEMOCRÁTICOS PODEM E DEVEM regulamentar a mídia.

As perguntas que se deve fazer neste caso são as seguintes:  Por que a mídia manipula e controla a opinião pública?  O que ganha com isso?  Quais interesses defende?

A mídia corporatista invariavelmente defende pontos de vista conservadores, evitando o debate de idéias.  Em certas ocasiões, quando sente que seus interesses estão sendo ameaçados, torna-se agressiva e caluniadora.  Essa mesma mídia tem transformado a idéia de regulamentação da mídia em um assunto polêmico pois teme perder seu monopólio de controle da opinião pública.  Afinal, grupos poderosos pagam bem pelos serviços de manipulação com auxílio dos quais mantêm seus privilegios.

Noam Chomsky, renomado lingüista americano, autor, com Edward S. Herman, do livro Manufacturing Consent: The Political Economy of the Mass Media (Pantheon, 1988), define, abaixo, o que considera as dez estratégias de manipulação da mídia.  Confira:

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As 10 estratégias de manipulação midiática

Noam Chomsky *, ADITAL, 22 novembro 2010

O linguista Noam Chomsky elaborou a lista das "10 Estratégias de Manipulação"através da mídia.

1. A estratégia da distração.

O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração, que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundação de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir que o público se interesse pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. "Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado; sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja com outros animais (citação do texto "Armas silenciosas para guerras tranquilas").

2. Criar problemas e depois oferecer soluções.

Esse método também é denominado "problema-ração-solução". Cria-se um problema, uma "situação" previsa para causar certa reação no público a fim de que este seja o mandante das medidas que desejam sejam aceitas. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o demandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para forçar a aceitação, como um mal menor, do retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços púbicos.

3. A estratégia da gradualidade.

Para fazer com que uma medida inaceitável passe a ser aceita basta aplicá-la gradualmente, a conta-gotas, por anos consecutivos. Dessa maneira, condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990. Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que teriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.

4. A estratégia de diferir.

Outra maneira de forçar a aceitação de uma decisão impopular é a de apresentá-la como "dolorosa e desnecessária", obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrificio imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Logo, porque o público, a massa tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que "tudo irá melhorar amanhã" e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isso dá mais tempo ao público para acostumar-se à ideia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

5. Dirigir-se ao público como se fossem menores de idade.

A maior parte da publicidade dirigida ao grande público utiliza discursos, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade mental, como se o espectador fosse uma pessoa menor de idade ou portador de distúrbios mentais. Quanto mais tentem enganar o espectador, mais tendem a adotar um tom infantilizante. Por quê? "Ae alguém se dirige a uma pessoa como se ela tivesse 12 anos ou menos, em razão da sugestionabilidade, então, provavelmente, ela terá uma resposta ou ração também desprovida de um sentido crítico (ver "Armas silenciosas para guerras tranquilas")".

6. Utilizar o aspecto emocional mais do que a reflexão.

Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional e, finalmente, ao sentido crítico dos indivíduos. Por outro lado, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de aceeso ao inconsciente para implantar ou enxertar ideias, desejos, medos e temores, compulsões ou induzir comportamentos...

7. Manter o público na ignorância e na mediocridade.

Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. "A qualidade da educação dada às classes sociais menos favorecidas deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que planeja entre as classes menos favorecidas e as classes mais favorecidas seja e permaneça impossível de alcançar (ver "Armas silenciosas para guerras tranquilas").

8. Estimular o público a ser complacente com a mediocridade.

Levar o público a crer que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto.

9. Reforçar a autoculpabilidade.

Fazer as pessoas acreditarem que são culpadas por sua própria desgraça, devido à pouca inteligência, por falta de capacidade ou de esforços. Assim, em vez de rebelar-se contra o sistema econômico, o indivíduo se autodesvalida e se culpa, o que gera um estado depressivo, cujo um dos efeitos é a inibição de sua ação. E sem ação, não há revolução!

10. Conhecer os indivíduos melhor do que eles mesmos se conhecem.

No transcurso dosúltimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência gerou uma brecha crescente entre os conhecimentos do público e os possuídos e utilizados pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o "sistema" tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto no aspecto físico quanto no psicológico. O sistema conseguiu conhecer melhor o indivíduo comum do que ele a si mesmo. Isso significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos, maior do que o dos indivíduos sobre si mesmos.

* Linguista, filósofo e ativista político estadunidense. Professor de Linguística no Instituto de Tecnologia de Massachusetts.

23 de nov. de 2010

Motivo para celebrar!

O Presidente Lula vai dar uma entrevista coletiva à BLOGOSFERA!  Isso mesmo:  alguns dos mais ativos blogueiros estarão participando deste evento histórico em Brasília, amanhã, 24 de novembro.  Vamos ver se será possível participar à distância...

Altamiro Borges está acompanhando o desenrolar deste evento:

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Lula e a primeira entrevista à blogosfera

Renato Rovai, blog no sítio da Revista Fórum / Blog do Miro, 23 novembro 2010

Amanhã (quarta-feira) o presidente Lula concederá a primeira entrevista “da história deste país” à blogosfera. Solicitada por um grupo de blogueiros progressistas, ela já tem as presenças confirmadas de: Altamiro Borges (Blog do Miro), Altino Machado (Blog do Altino), Cloaca (Cloaca News), Conceição Lemes (Viomundo), Eduardo Guimarães (Cidadania), Leandro Fortes (Brasilia Eu Vi), Pierre Lucena (Acerto de Contas), Renato Rovai (Blog do Rovai), Rodrigo Vianna (Escrevinhador) e Túlio Vianna (Blog do Túlio Vianna). Outros dois blogueiros buscam desmarcar compromissos para se integrar ao grupo.

O evento acontecerá às 9h da manhã, no Palácio do Planalto, e será transmitido ao vivo pelo Blog do Planalto, pelos blogs que participarão do encontro e por todos que tiverem interesse de fazê-lo. Ainda hoje vamos explicar como isso será possível.

Será uma entrevista coletiva, mas também é um momento de celebração da diversidade informativa. Ao abrir sua agenda à blogosfera o presidente demonstra estar atento às transformações que acontecem no espaço midiático e ao mesmo tempo atesta a importância dessa nova esfera pública da comunicação.

Como as coisas na blogosfera são diferentes e mais colaborativas, não serão só os presentes ao encontro que participarão. A coletiva será aberta ao público que poderá participar enviando perguntas pelo chat. O objetivo é garantir o maior grau possível de interatividade.

Por conta dos senões da agenda presidencial, só agora nos foi confirmado o evento e liberada a divulgação. Por isso temos pouco tempo para nos organizar e produzir a repercussão que a entrevista merece.

Contamos com vocês nessa tarefa: divulgando, transmitindo em seus blogs e fazendo perguntas pelo chat.

A blogosfera dá mais um passo importante.

Um passo “nunca dado na história deste país”.


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Coletiva com Lula: vitória dos blogs sujos

Por Altamiro Borges, Blog do Miro, 23 novembro 2010

Está confirmada para amanhã, 24, a primeira entrevista de um presidente da República do Brasil para a blogosfera. Lula falará com dez blogueiros de várias partes do país. A coletiva, que terá início às 9 horas, será transmitida ao vivo pelo Blog do Planalto e os internautas poderão participar, fazendo perguntas, através do chat.

A força da blogosfera 
A entrevista se reveste de importante significado. Comprova a força que adquiriu a blogosfera progressista na fase recente. Durante a campanha eleitoral, o candidato demotucano, José Serra, com amplo respaldo da mídia oligárquica, ficou irritado com a cobertura jornalística independente, e muitas vezes irrevente, da blogosfera. Em várias ocasiões, como no discurso golpista que fez aos generais de pijama do Clube Militar, ele acusou os "blogs sujos" pelas dificuldades da sua campanha.

No extremo oposto, o presidente Lula, alvo de violento e desonesto cerco midiático, chegou a produzir um vídeo destacando o papel da blogosfera na luta de idéias na sociedade. Em vários momentos da campanha, ele criticou os jornalões, que "viraram partido político", a revista Óia (a famigerada Veja) e algumas emissoras de TV pela postura de cabos eleitorais do candidato da direita. Lula conclamou os internautas a produzirem conteúdo para se contrapor às manipulações da mídia.

Papel revelevante na eleição 
Em recente debate, os coordenadores da campanha nas rede sociais dos três principais candidatos - Marcelo Branco (Dilma), Soninha Francine (Serra) e Caio Túlio (Marina) - afirmaram que a internet teve um papel decisivo nas eleições de 2010. A exemplo do que já ocorre nos EUA e na Europa, ela permitiu maior participação da sociedade e garantiu maior diversidade de opiniões. Alguns chegam a afirmar que a internet só foi superada pela cobertura mais massiva da televisão, superando jornais e revistas.

Ao convocar uma coletiva com a blogosfera, o presidente Lula reconhece a força da internet e sinaliza uma preocupação mais efetiva dos atuais ocupantes do Planalto com a democratização dos meios de comunicação. Entrevistas com "autoridades" deixam de ser uma exclusividade dos monopólios midiáticos. Os "blogs sujos", que não se omitiram no embate de idéias, ganham pontos e passam a um novo patamar na disputa de hegemonia no país.

Organizar o segundo encontro 
No final de agosto, cerca de 330 internautas de 19 estados realizaram o I Encontro Nacional dos Blogueiros Progressistas, em São Paulo. Eles são os responsáveis pela vitória da entrevista com Lula. Agora, é preciso fortalecer ainda mais o movimento da blogosfera progressista no Brasil. Não dá mais para ninguém negar o seu papel na sociedade. O segundo encontro nacional está previsto para maio e deve ser precedido pelos encontros estaduais. É preciso investir todas as energias na sua organização, garantindo o caráter amplo e plural deste movimento democratizador.

22 de nov. de 2010

Os 'agentes do mercado' começam a se mobilizar para barrar mudanças no Banco Central

Na postagem sobre a erradicação da miséria no Brasil, a necessidade controle dos abusos do capital especulativo – abertura financeira, câmbio flutuante, e altas taxas de juros – figurou como talvez a medida mais importante a ser tomada pela Presidente Dilma Roussef, em seu governo, a fim de atingir sua meta:  erradicar a miséria.  Ora, é lógico que os especuladores – brasileiros e estrangeiros – estão apavorados com a possibilidade de mudanças no Banco Central (BC) e já começam a se mobilizar!

Confira no artigo abaixo, de Altamiro Borges:

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Meirelles ainda quer mais autonomia

Por Altamiro Borges, Blog do Miro, 22 novembro 2010

Ávida por interferir na montagem do ministério do governo Dilma Rousseff, a mídia oligárquica parece preocupada com o futuro do atual presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.  Há boatos de que a presidenta eleita não o manterá no cargo.  Os tais “agentes do mercado”, que têm espaço privilegiado nos veículos de comunicação, dizem temer pela “estabilidade da economia” – na verdade, eles temem por seus lucros exorbitantes e criminosos na especulação financeira.

Diante a boataria, Henrique Meirelles tentou um golpe de mestre, mas parece que se deu mal.  Ele teria dito à imprensa que foi convidado a permanecer na função, mas que “impôs condições”.  A principal seria maior autonomia do Banco Central.  É muita petulância.  Hoje, a instituição já goza de uma baita autonomia.  Nos últimos oito anos, o BC manteve o tripé neoliberal da política macroeconômica – com juros elevados, superávit primário e libertinagem cambial.

O rentismo do BC
Essa autonomia já beira a irresponsabilidade.  Em plena crise capitalista mundial, contrariando o próprio presidente, o BC elevou os juros, arrochando o crédito.  Diante da atual guerra comercial, deflagrada pelos EUA, ele mantém os câmbio flutuante, o que penaliza a produção interna e gera déficits comerciais.  Meirelles, que não nega seu passado de banqueiro, de ex-presidente do Bank of Boston, insiste na tese da autonomia operacional do BC, quando na maior parte das economias do mundo o movimento é exatamente o contrário – disciplinando o tal “mercado”.

A entrevista do presidente do BC – que agora diz que nunca deu – causou mal-estar na equipe de transição.  “A presidente eleita se irritou com Henrique Meirelles por ele ter divulgado que impõe condições para ficar no Banco Central, mas que não descarta negociar a sua permanência por um período tampão.  De acordo com auxiliares de Dilma, Meirelles perdeu ‘muitos pontos’ e deve ‘baixar o tom’ para que os dois possam negociar sua posição no futuro governo”, relata a Folha.

Desenvolvimentistas X neoliberais
Até agora, Dilma confirmou apenas a manutenção de Guido Mantega no Ministério da Fazenda.  As discordâncias entre Mantega, mais ligado às teses desenvolvimentistas, e Meirelles, vinculado à ortodoxia neoliberal, podem agora resultar na exclusão do atual presidente do BC – o que seria uma excelente sinalização da presidenta Dilma.  Os especuladores ficarão ouriçados; a mídia oligárquica fará escarcéu;  mas o país só tem a ganhar em desenvolvimento e maior justiça.

21 de nov. de 2010

Mídia corporatista abre arquivos da ditadura

O período da ditadura militar foi terrível para todos os brasileiros que não faziam parte da elite traiçoeira que a planejou;  foi terrível principalmente para aqueles que, na sua pobreza e ignorância política, não tinham noção do que se passava nos bastidores do governo, embora sentissem que  'a situação do Brasil não era boa;  a renda, pequena, diminuía ainda mais a cada dia;  e não havia como reclamar...'

Sabemos quais são as intenções da mídia ao abrir tais arquivos:  acusar, caluniar, afligir outra vez aqueles que merecem todo nosso respeito pois tiveram a coragem de lutar contra as forças opressoras.  Sua primeira vítima, paradoxalmente, é a mulher maravilhosa que acabamos de eleger Presidente do Brasil.

Não podemos deixar que isso aconteça!!!  ALERTA, Brasileiros!  Devemos iniciar rapidamente um movimento para acabar com as manobras da imprensa corporatista;  devemos ensinar história aos jovens de hoje – essa história recente que nos dá a lição muito importante de que as liberdades civis são importantes, de que a soberania de um povo vale a pena;  devemos mostrar o valor de Dilma Roussef e de tantos outros que acreditaram que um mundo melhor seria possível, e que lutaram por esse mundo.

Dilma Rousseff e muitos outros jovens, educados e politicamente conscientes, foram valentes o suficiente para lutar pela democracia e pela esperança de um futuro melhor que nos haviam sido roubadas.   Muitos dizem que foram ingênuos;  mas, a verdade é que sua juventude e seus princípios lhes deram perspectiva e coragem.   Parafrazeando Fernando Pessoa, cantávamos juntos  'navegar é preciso, viver não é preciso...', e tantas outras canções, inesquecíveis, que nos empurravam à frente:  'e no entanto é preciso cantar, mais que nunca é preciso cantar, é preciso cantar e alegrar a cidade…', 'chora, a nossa pátria mãe gentil, choram Marias e Clarisses, no solo do Brasil...',  'vem, vamos embora que esperar não é saber, quem sabe faz a hora não espera acontecer...', 'apesar de voce amanhã há de ser um outro dia, ainda pago pra ver o jardim florescer qual voce não queria...',  e tantas outras...   O JARDIM FLORESCEU, DILMA!!!  Chegou a hora de colhermos as flores!

Leia o excelente EDITORIAL de Carta Capital, de 19 novembro 2010:

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EDITORIAL 

"Grande" imprensa assume voz da tortura e da ditadura

Ao dar legitimidade a relatos de torturadores e assassinos, a chamada “grande imprensa” está assinando definitivamente seu atestado de óbito como instituição democrática.  O problema é mais grave do que simplesmente alimentar um terceiro turno de uma eleição que já foi decidida pela vontade soberana do povo.  O mais grave é tomar a voz da morte, da violência e do arbítrio como sua! Tomar a voz do torturador como sua e vendê-la à sociedade como se fosse uma informação útil à democracia e ao interesse público.  O que seria útil à democracia e ao interesse público neste caso seria publicar o arquivo secreto do comportamento vergonhoso dessa imprensa durante a ditadura.  Editorial da Carta Maior.

Carta Maior, 19 novembro 2010

Cena do filme "Pra Frente Brasil", de Roberto Farias

A chamada “grande imprensa” brasileira envergonha e enfraquece a nossa jovem democracia.  O uso da palavra “grande”, neste caso, revela-se cada vez mais inapropriado.  Não é grande no sentido da grandeza moral que uma instituição pode ter, posto que enveredou para o domínio da mesquinharia, da manipulação e da ocultação de seus reais interesses.  E não é grande também no sentido quantitativo da palavra, uma vez que vem perdendo leitores e público a cada ano que passa.  Mais do que isso, vem perdendo credibilidade e aí reside justamente uma das principais ameaças à ideia de democracia e de República.  As empresas que representam esse setor se autonomearam porta vozes do interesse público quando o que fazem, na verdade, é defender seus interesses econômicos e os interesses políticos de seus aliados. 

Falta de transparência, manipulação da informação e ocultação da verdade constituem o tripé editorial que anima as pautas e as colunas de seus porta vozes de plantão.  O repentino e seletivo interesse dessas empresas por uma parte da história do Brasil no período da ditadura militar (que elas apoiaram entusiasticamente, aliás) fornece mais um prova disso.  Os seus veículos estão interessados em uma parte apenas da história, como de hábito.  Uma parte bem pequena.  Mas bem pequena mesmo.  Só aquela relacionada ao período em que a presidente eleita Dilma Rousseff esteve presa nos porões do regime militar, onde foi barbaramente torturada.  O interesse é denunciar o que a presidente eleita sofreu e pedir a responsabilização dos responsáveis? Não seria esse o interesse legítimo de uma imprensa comprometida, de fato, com a democracia? É razoável, para dizer o mínimo, pensar assim.  Mas não é nada disso que interessa à “grande” imprensa.

O objetivo declarado é um só: torturar Dilma Rousseff mais uma vez.  Remover o lixo que eles mesmo produziram com seu apoio vergonhoso à ditadura e tentar, de algum modo, atingir a imagem de uma mulher que teve a coragem e a grandeza de oferecer à própria vida em uma luta absolutamente desigual contra a truculência armada e o fascismo político.  O compromisso com o resgate da memória do país é zero.  Talvez seja negativo.  Se fosse verdadeiro e honesto tal compromisso as informações dos arquivos da ditadura contra Dilma e outros brasileiros e brasileiras que usufruíram do legítimo direito da resistência contra uma ditadura não seriam publicadas do modo que estão sendo, como sendo um relato realista do que aconteceu.  Esse relato, nunca é demais lembrar, foi escrito pelas mesmas mãos que torturavam, aplicavam choques, colocavam no pau de arara, violentavam e assassinavam jovens cujo crime era resistir a sua perversidade assassina e mórbida.

Ao tomar esses relatos como seus e dar-lhes legitimidade a chamada “grande imprensa” está assinando definitivamente seu atestado de óbito como instituição democrática.  O problema é mais grave do que simplesmente alimentar um terceiro turno de uma eleição que já foi decidida pela vontade soberana do povo.  O mais grave é tomar a voz da morte, da violência e do arbítrio como sua! Tomar a voz do torturador como sua e vendê-la à sociedade como se fosse uma informação útil à democracia e ao interesse público. 

O que seria útil à democracia e ao interesse público neste caso seria publicar o arquivo secreto do comportamento dessa imprensa durante a ditadura.  É verdade que a Folha de S.Paulo emprestou carros para transportar presos que estavam sendo ou seriam torturados? Se esse jornal está, de fato, interessado em reconstruir a história recente do Brasil por que não publica os arquivos sobre esse episódio? Por que não publica o balanço de quanto dinheiro ganhou com publicidade e outros benefícios durante os governos militares? Por que o jornal O Globo não publica os arquivos secretos das reuniões (inúmeras) do sr.  Roberto Marinho com os generais que pisotearam a Constituição brasileira e depuseram um presidente eleito pelo voto popular?

Obviamente, nenhuma dessas perguntas será motivo de pauta.  E a razão é muito simples: essas empresas e seus veículos não estão preocupadas com a verdade ou com a memória.  Mais do que isso, a verdade e a memória são obstáculos para seus negócios.  Por essa razão, precisam sequestrar a verdade e a memória e apresentar-se, ao mesmo tempo, como seus libertadores.  É uma história bem conhecida em praticamente toda a América Latina, onde a imensa maioria dos meios de comunicação desempenhou um papel vergonhoso, aliando-se sistematicamente a ditaduras e a oligarquias decrépitas e sufocando o florescimento da democracia e da justiça social no continente.

...

Um episódio ocorrido dia 15 de novembro em Florianópolis ilustra bem a natureza e o caráter dessa imprensa.  O comentarista da RBS TV, Luiz Carlos Prates, fez um inflamado discurso sobre os acidentes no trânsito dizendo que a culpa é “deste governo espúrio que permitiu que qualquer miserável tivesse um carro”.  O governo espúrio em questão é o governo Lula que, por três vezes agora, foi consagrado nas urnas.  O que o comentarista da RBS está dizendo, na verdade, resume bem o que a chamada grande imprensa pensa: é espúrio um governo que permita que qualquer miserável tenha um carro; é espúrio um governo que permita que qualquer miserável vote; é espúrio um governo que ousa apontar para um caminho diferente daquele que defendemos.

Durante a campanha eleitoral, essa mesma imprensa, ao mesmo tempo em que acusava o governo e sua candidata de “ameaçar a liberdade de imprensa”, demitia colunistas por crime de opinião, ingressava na justiça para tirar sites do ar e omitia-se vergonhosamente quando o seu candidato e seus aliados censuravam pesquisas, revistas e blogs.  Houve alguma censura por parte do governo? Nenhuma, zero.  Apenas uma crítica feita pelo presidente da República à cobertura sobre as eleições.  Um crime inafiançável.

Não há mais nenhuma razão para palavras mediadas, expectativas ambíguas e estratégias de comunicação esquizofrênicas.  Essas mesmas empresas que não se cansam de pisotear a democracia, desrespeitar a verdade e desprezar o povo não se cansam também de sugar milhões de reais todos os anos em publicidade dos governos que acusam de ameaçar sua liberdade.  Cinismo, hipocrisia, mentira e autoritarismo: essas são as mãos que embalam o berço dessas corporações que entravam a democracia e a justiça social no Brasil.

17 de nov. de 2010

Participe do movimento pelo fechamento da Escola de Assassinos

A Escola das Américas é uma instituição mantida pelos EUA que ministra cursos sobre assuntos militares a oficiais de outros países das Américas.

Atualmente situada em Fort Benning, estado da Georgia, EEUU, esta escola esteve situada no Panamá até 1984.  Nela se graduaram mais de 60.000 militares e policiais de cerca de 23 países da América Latina, alguns deles conhecidos pelos seus crimes contra a humanidade como os Generais Leopoldo Fortunato Galtieri ou Manuel Antonio Noriega.  A escola mudou-se para  (Wikipédia)

Desde sua criação, em 1946, sua missão principal tem sido a de 'fomentar cooperação ou servir como instrumento para preparar as nações latino-americanas a cooperar com os Estados Unidos e manter assim um equilíbrio político contendo a influencia crescente de organizações populares ou movimentos sociais de esquerda.'  (Wikipédia)

O artigo na Wikipédia afirma também que, durante décadas, a Escola das Américas 'cooperou com vários governos e regimes totalitários e violentos.  Vários dos seus cursos ou adestramentos incluíam técnicas de contra insurgência, operações de comando, treinamento em golpes de Estado, guerra psicológica, intervenção militar, técnicas de interrogação.  Manuais militares de instrução destas iniciativa, primeiramente confidenciais, foram liberados e publicados pelo pentágono Americano em 1996.  Entre outras considerações, os manuais davam detalhes sobre violações de direitos humanos permitidos, como por exemplo o uso de tortura, execuções sumárias, desaparecimento de pessoas, etc.,  definindo seus objetivos como sendo o de conter e controlar indivíduos participantes em organizações sindicais e de esquerda.'

Escola de Assassinos

'O jornal panamenho La Prensa a chama de Escola de Assassinos.  Jorge Illueca, presidente do Panamá, chamou a de A Base gringa para a desestabilização da América Latina.

Em uma carta aberta enviada em 20 de Julho de 1993 ao Columbus Ledger Enquirer, o comandante Joseph Blair, antigo instrutor da Escola das Américas, declarou: "Nos meus três anos de serviço na Escola nunca ouvi nada sobre qualquer objetivo de promover a liberdade, a democracia e os direitos humanos.  O pessoal militar da América Latina vinha a Columbus unicamente em busca de benefícios econômicos, oportunidades para comprar bens de qualidade isentos de taxas de importação e com transporte gratuito, pago com impostos de contribuintes americanos.

De acordo com o senador democrata Martin Meehan (Massachusetts): "Se a Escola das Américas decidisse celebrar uma reunião de ex alunos, reuniria alguns dos mais infames e notórios malfeitores do hemisfério".
A Escola das Américas, desde 1946, treinou mais de 60 mil militares da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela.  Dentre eles, destacam-se os assassinos de Dom Oscar Romero e do bispo guatemalteco D.  Juan Girardi, e de seis padres jesuítas e quatro americanos assassinados em El Salvador, em 1989.' (Wikipédia)

Esta escola de assassinos precisa fechar.  Participe da semana de ação pelo seu fechamento.  Assine petições, envie cartas a políticos e instituições que têm o poder de agir e posicionar o Brasil contra o envio de militares para treinarem nessa odiosa instituição imperialista.  Sem o fechamento dessa escola, fica difícil acreditar que as mudanças que queremos para o Brasil sejam viáveis...

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Começa hoje (16) semana de ação pelo fechamento da Escola das Américas

Tatiana Félix, ADITAL, 16 novembro 2010

Defensores da paz e dos direitos humanos dos países da América Latina e do Caribe se mobilizam a partir de hoje (16) para realizar manifestações e protestos, até domingo (21), contra a Escola das Américas, acusada de ser local de formação de violadores de direitos humanos.

Surgida na década de 40, e inicialmente situada no Panamá, na América Central, hoje a Escola está localizada em Fort Benning, no estado da Georgia, nos Estados Unidos.  Desde 1990, manifestantes realizam protestos em frente à atual sede da Escola, em Fort Benning.

A estimativa é que milhares de ativistas, entre estudantes, religiosos, cidadãs e cidadãos comuns, ex-veteranos de guerra e outros, participem das manifestações contra a chamada de 'Escola de Assassinos'.  Para Roy Bourgeois, fundador do movimento Observatório da Escola das Américas (SOAW, por sua sigla em inglês), "a luta pelo fechamento da Escola das Américas é uma tarefa de todos os povos que amam a paz e a justiça".

A coordenadora do movimento SOAW para América Latina, Lisa Sullivan, citou alguns exemplos como o do golpe de Estado em Honduras, a repressão em El Alto, na Bolívia e as violações de direitos humanos na Colômbia para justificar a luta pelo fechamento da Escola Militar.  Para ela, enquanto os países continuarem enviando soldados para esta escola, situações como estas, que atentam contra a democracia, continuarão acontecendo.

Em diversos países da região, os e as ativistas estão se mobilizando para somar esforços nesta luta.  No México, Guatemala, República Dominicana, Chile e Paraguai, por exemplo, estão sendo coletadas assinaturas para uma carta que será enviada aos presidentes da América Latina e Caribe, com o pedido de que não enviem mais tropas para a Escola Militar.  Já em nações como Argentina, Honduras, Nicarágua, Equador e outros, estão sendo realizados fóruns, encontros e oficinas, que abordam a questão.

Em uma mensagem de apoio dirigida ao movimento SOAW, o Grupo Operacional da campanha 'Não Bases', da Argentina, declarou que "saudamos a decisão dos países da região – Argentina, Venezuela, Bolívia e Uruguai – que deixaram de enviar soldados para a Escola das Américas, uma instituição que não variou sua prática, nem seus objetivos, mesmo que agora se denomine Instituto de Cooperação e Segurança do Hemisfério Ocidental (WHINSEC) e tenha se mudado do Panamá à Geórgia, nos Estados Unidos".

Mas, por outro lado, considerando que países como Colômbia, Chile, Peru, Nicarágua, República Dominicana, Equador, Panamá, Honduras, El Salvador, Guatemala, Costa Rica, Paraguai, México, Jamaica, Belize e Brasil ainda enviam tropas à referida Escola, os(as) militantes argentinos(as) se comprometem a também somar esforços "para que nenhum país latinoamericano continue enviando militares ou polícias para esta ou outra academia militar ou policial com objetivos semelhantes".

O Grupo ressaltou ainda que considera importante a recente declaração do presidente da Bolívia, Evo Morales, que, além de denunciar e rejeitar o papel da Escola, sugeriu que a União das Nações Sulamericanas (UNASUL) instale um Instituto de preparação para as forças armadas da região, com foco na formação democrática e patriótica e de acordo com os princípios de unidade da América Latina.

"A criação de um Instituto desta natureza seria uma verdadeira alternativa para a Escola de Assassinos, cujo fechamento reclamamos e, também, corresponderia plenamente com os objetivos que levaram a Unasul para a criação de um Conselho de Defesa Sulamericano e um Centro de Estudos Estratégicos, onde os países da América do Sul possam determinar com autonomia seus próprios interesses geopolíticos e suas políticas de Defesa Nacional", comentou.

Mais informações:  gabi@soaw.org

15 de nov. de 2010

Assassinato de líderes políticos e sociais na Colômbia

A primeira postagem do blog Alerta! foi uma reprodução do extraordinário editorial da Revista do Brasil que foi CENSURADA pelo Tribunal Superior Eleitoral a pedido da coligação do candidato José Serra à Presidência da República.  Na ocasião, tal censura foi vista, corretamente, como um ataque à liberdade de imprensa.  Foi tal afronta que deu origem a este blog, pois considerou-se que o silêncio perante tais atos é tão perigoso quanto os próprios atos.  Este blog surgiu como uma forma de protesto.


Foto publicada na edição CENSURADA da Revista do Brasil (conforme cópia da revista censurada em Scribd), em outubro 2010, mostrando movimentos pelos direitos humanos no México.

Foi importante também, naquela ocasião, escolher o artigo certo da Revista do Brasil para enfatizar a mensagem do blog.  Por isso, foi escolhido o EDITORIAL daquela revista:  tanto a mensagem como a foto despertaram para antigos pesadêlos que vivemos no Brasil durante a ditadura militar, e mostraram o perigo que ainda corremos de uma repetição dos horrores que vivemos naquela época, vista a terrível realidade no México.

Infelizmente, os horrores da repressão não estão confinados apenas ao México.  A postagem de hoje refere-se a hediondos crimes que vêm ocorrendo na Colômbia, a qual, como o México, também 'sofre influência direta dos Estados Unidos em sua política de defesa nacional.'

Com a desculpa de estar perpetrando 'guerra ao narcotráfico' e 'guerra ao terror', o governo desse país tem praticado temíveis atos de repressão contra seu povo:  seus líderes comunitários, sindicais e de direitos humanos estão sendo assassinados, e autoridades que se propõem a mudar essa situação são vítimas de organizações criminosas que os corrompem com ameaças e assassinatos.

Em 2009, Colômbia e Estados Unidos assinaram um acordo militar a portas fechadas na sede do Ministério das Relações Exteriores, em Bogotá.  Esse acordo militar autoriza a entrada na Colômbia de até 800 militares estadunidenses e 600 civis (espiões?) que trabalham para o governo estadunidense.  O objetivo declarado é combater o narcotráfico e o terrorismo, mas os dois governos não divulgaram o texto oficial do convênio, apenas divulgaram alguns dados.

Conforme a Wikipédia, esse acordo  ...'compensa o fim da base estadunidense de Manta, no Equador, ao permitir o uso de três bases aéreas, duas bases da Marinha e outras duas do Exército no território colombiano.'

O artigo em Wikipédia afirma ainda que aquele documento 'provocou e ainda provoca muitas discussões por causa da base de Palanquero, que abriga uma pista de pouso e decolagem adaptada a aviões militares cargueiros possibilitando a projeção desses aviões para além das fronteiras da Colômbia, a qual é vizinha dos governos revolucionários anti-EUA [independentes] da Venezuela (Hugo Chávez) e do Equador (Rafael Correa).  A posição bastante estratégica das bases permite que o avião militar Boeing C-17 alcance metade do continente sem precisar parar para reabastecer, fato que amplia as desconfianças dos outros países sul-americanos em relação ao objetivo real do tratado.'

Vale lembrar ainda que o presidente Barack Obama, no ano fiscal de 2010, sancionou o orçamento militar de seu país, o qual apresenta uma verba de US$ 46 milhões destinada a Palanquero.  (Wikipédia)

Portanto, nunca é demais repetir a mensagem daquele EDITORIAL censurado pois, quando se trata de assuntos dessa natureza, trata-se também de 'dar uma vaga idéia do que poderíamos ter virado caso o Brasil não tivesse começado, há oito anos, a virar o jogo do neoliberalismo conduzido pelo PSDB/DEM.'  Sim, por que o objetivo dos países imperialistas, usando tais partidos, é controlar a economia e extrair recursos desses países, bem como manter sua vigilância sobre o resto da América Latina, cuidando para que a dependência econômica e o subdesenvolvimento se perpetuem.

O Brasil é um país imensamente rico.  Durante séculos, a exploração de seus recursos minerais e agrícolas, e de seu povo através da manutenção de salários miseráveis, manteve o país subdesenvolvido e custeou muitas crises do sistema nos países imperialistas.  A reversão dessa política governamental neoliberal do Brasil, de âncora do capitalismo internacional, para uma política defensora dos direitos do povo brasileiro, traria benefícios imediatos para o país e para seu povo.

Não foi de surpreender, portanto, que as mais recentes políticas governamentais do PT resultaram em crescimento do emprego e da massa salarial, distribuição de renda e inclusão social.  Como aquele EDITORIAL censurado bem colocou, esses são pontos de partida 'para se chegar a uma sociedade sem violência, a um país que seja grande economicamente e também justo com seu povo. Que o Brasil siga nessa trilha, sem dar chance ao retrocesso.'  (CENSURADA)

O artigo abaixo descreve alguns dos problemas que estão ocorrendo no momento na Colômbia, cujo governo da direita neoliberal, aos moldes do governo anterior de Álvaro Uribe, continua a oprimir os segmentos mais fracos do povo:

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Colômbia: 50 lideranças foram mortas em 90 dias de governo Santos

O Partido Polo Democrático Alternativo (PDA) denunciou na quarta-feira (10) que ao menos 50 líderes políticos e sociais foram assassinados na Colômbia nos 90 primeiros dias do governo do presidente Juan Manuel Santos, sucessor do ultradireitista Álvaro Uribe. Segundo a legenda, as mortes são consequência da crise humanitária que vive a nação sul-americana.

Da Redação, com informações da Fórum e da TeleSur, Vermelho, 14 novembro 2010

A presidente do PDA, Clara Lopes, disse em comunicado apresentado ao Comitê Executivo Nacional (CEN) que as vítimas são políticos de esquerda, sindicalistas, dirigentes sociais, camponeses, indígenas e jovens, assim como defensores dos direitos humanos para a população [...]. “Trata-se de uma crise humanitária com números verificáveis e casos constatados.”

De acordo com [a presidente do PDA], o partido observa com preocupação esse “fenômeno de ameaças e assassinatos”, além de se propor a fazer “um [acompanhamento] detalhado” sobre “a população vulnerável que não conta com as garantias suficientes por parte do Estado para proteger suas vidas”.  Clara Lopes enfatizou que [os habitantes da] Colômbia “[vêm] sendo vítima[s] de um plano de extermínio”[.  Esse plano é] contra os setores sociais e a população vulnerável, “sem que a cúpula do governo reaja” para dar “as suficientes garantias a vida, honra e [para garantir] os bens das vítimas”.

Na última sexta, Elizabeth Silva Aguilar, presidente da Associação dos Sem-Teto e Refugiados de Bucaramanga, noroeste da Colômbia, foi assassinada por desconhecidos que invadiram sua casa em um bairro dessa cidade, informou o PDA, que assegurou que esse assassinato foi cometido por “paramilitares supostamente não mobilizados”.  Para o PDA, “é um assassinato a mais que se soma à cadeia de crime e intimidações contra essa comunidade”.

Representantes de organizações de refugiados denunciaram que, nos últimos seis meses, ao menos cem líderes de direitos humanos foram assassinados na Colômbia.  A guerra “se mantém sobre todo o sul da Colômbia”.  Segundo o integrante da Associação de Afrocolombianos Deslocados (AFRODES), Roseliano Riascos, “primeiro chegaram panfletos ameaçadores e logo se deram os assassinatos”.

Riascos enfatizou que “a nova estratégia contra os líderes dos refugiados já não são massacres [mas], sim, mortes seletivas e desapropriações”.  Segundo a Consultoria para os Direitos Humanos e os Deslocamentos [migrações internas forçadas] – CODHES, desde 2002 há [numerosos] registros de assassinatos de líderes refugiados.

Essa ONG colombiana afirmou nesta terça-feira que 3,7 milhões de pessoas foram vítimas de deslocamentos forçados, consequência do conflito armado que assola a Colômbia há cinco décadas, transformando-a na nação com maior número de refugiados [internos] do mundo.  (revisão minha)

11 de nov. de 2010

Voce ainda tinha alguma dúvida?

O artigo abaixo vai direto ao ponto!

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Estados do agronegócio dão maioria de votos a Serra

Domicílio de um eleitorado mais conservador, os pujantes interiores rurais de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Paraná e Santa Catarina foram mais sensíveis à mistura de política com temas religiosos, disseminada na internet e em rodas de conversa pelo país, optando pelo tucano José Serra.

Mauro Zanatta, Valor Econômico/Vermelho, 8 de Outubro de 2010

A defesa de temas polêmicos como o direito ao aborto, feita por Dilma em uma sabatina de 2007, e a suposta menção da candidata ligando sua eleição a Jesus Cristo amplificaram a rejeição iniciada com o escândalo da quebra de sigilo fiscal de políticos tucanos por um petista.

A reprovação acabou cristalizada pelas denúncias de corrupção e nepotismo que derrubaram a então ministra Erenice Guerra da Casa Civil.

Esses cinco Estados do "cinturão agrícola" respondem por 30% do PIB rural do país.  Quando somada a Goiás e Rio Grande do Sul, onde Dilma ganhou por uma margem inferior ao resultado nacional, essa fatia sobe a 46,5%.  Se somados a São Paulo, cujo interior vocaliza uma forte restrição ao PT, seriam 62,6% do PIB rural a rejeitar Dilma Rousseff – a petista perdeu por 40,6% a 37,3% para Serra, uma diferença de 783 mil votos.

Aliados do governo apontam que faltou a Dilma Rousseff "realmente entender", por meio de ações, e não apenas com discursos, "questões vitais" como a garantia da segurança jurídica no campo.

Medo da Reforma Agrária
Entre as principais preocupações, estão as alterações nas legislações ambiental, trabalhista, tributária, indígena e quilombola.  Ameaças de alterações radicais nos critérios para a reforma agrária e a revisão de índices de produtividade no campo ainda tiram o sono do setor rural.

Nem mesmo a melhoria relativa da infraestrutura e da logística nos estados do "cinturão agrícola", as três renegociações das dívidas rurais ou a agressiva política de subsídios nos oito anos de governo Lula foram suficientes para conter essa rejeição no campo.

"Ainda não entendi como esse conservadorismo cega o produtor.  Tivemos tantos avanços com o Lula e, mesmo assim, não há reconhecimento", critica o ex-governador e senador eleito Blairo Maggi (PR-MT).

Uma das principais lideranças do setor, Maggi avalia que os amplos benefícios aos produtores não foram "transferidos" diretamente aos moradores dessas pequenas cidades.  "Temos que ver que um benefício pretérito não conta.  O que vale são as perspectivas futuras", avalia o analista político Antonio Augusto de Queiroz, do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).

Mesmo com o reconhecimento de Maggi, em Rondonópolis, seu domicílio eleitoral, Dilma ganhou por apenas 8,7 mil votos em um universo de 106,7 mil eleitores.  Em Matupá, terra do novo governador Silval Barbosa (PMDB), afilhado de Maggi, a candidata do PT perdeu de José Serra por 51,1% a 44,7%.  "Vamos ter que reverter isso com muito trabalho e pé na estrada", admitiu o novo senador, que acompanhou Silval na reunião dos aliados com Dilma Rousseff.

Os analistas têm outras explicações para o voto contra Dilma.  "Eles podem ter deixado para o segundo turno para barganhar como se fez em 2006", lembra Queiroz, do Diap.  Naquela eleição, o presidente Lula perdeu para Geraldo Alckmin nos dois turnos.  Mas a diferença caiu de 233 mil para apenas 8,8 mil votos.  "A bancada ruralista virá maior em quantidade e qualidade.  E essa perda dos ambientalistas pode ser compensada na negociação com Marina Silva para o segundo turno", avalia Queiroz.

O cientista político Edélcio Vigna corrobora a tese ao afirmar que os ruralistas terão menos poder em questões ideológicas importantes que serão debatidas no Congresso.  "Dilma e Serra vão ter que fazer concessões aos ambientalistas em temas como Código Florestal, trabalho escravo, questões indígenas e trabalhistas", diz o analista do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc).

10 de nov. de 2010

E o povo ganhou

A importância da mídia reside no fato de que, devido à sua natureza, à tecnologia disponível e ao seu alcance, ela tem um imenso poder de persuasão.   Por isso, em uma sociedade democrática, ela tem o dever de apresentar todos os ângulos, informando o debate e debatendo sem restringir a totalidade das opiniões.   Se não o fizer, torna-se instrumento de dominação, de controle.   Ao informar, a mídia deve oferecer ao espectador, ouvinte ou leitor elementos para que possa decidir por si mesmo.   Certamente, existe diferença entre informar e criar conhecimento.   Mas, pecamos se omitimos o fato de que a imprensa privada, por exemplo, habitualmente divulga apenas matéria paga ou notícia acoplada à opinião que lhe interessa enquanto empresa privada em busca de lucro.   Pois é exatamente no interesse político-econômico daqueles que controlam a mídia, daqueles que são proprietários da tecnologia de informação, que reside a desinformação.

No caso das últimas eleições, a mídia brasileira corporativa desinformou sem ser contestada pelas suas vítimas.   Talvez não fosse o momento para contestar...   Mas, visto que a desinformação tinha como objetivo afetar o PT, certamente sua audiência eram aqueles com interesses alheios aos daqueles que se beneficiavam com as políticas de governo do PT, ou supostamente alheios, isto é, 'promovidos' a opositores do PT pelo poder persuasivo que usou para tanto, provocando a polarização brutal da opinião pública.   A única razão pela qual a mídia privada perdeu essas eleições (e ela sabe disso) foi por que as condições objetivas para que a maioria dos eleitores decidisse pelos seus próprios interesses realmente existiu, e isso se deveu à política acertada do governo Lula.   A maioria do povo teve mais empregos disponíveis, salários aumentados, benefícios alimentares e de saúde, enfim, se elevou socialmente graças às políticas governamentais com foco nos menos favorecidos.   Talvez devessemos nos perguntar, antes de mais nada, quem perdeu com isso...

Liberdade de imprensa não deve ser confundida com liberdade de enganar ou conduzir.   A mais recente Lei de Imprensa brasileira, promulgada em 1967 no periodo da ditadura militar, foi extinta em 2009, e uma nova lei de imprensa precisa tomar seu lugar pois há características peculiares na imprensa (escrita, falada, televisionada) que precisam ser regulamentadas.   É preciso legislação para impedir que os poderosos meios de comunicação de massa façam uso inadequado de seu poder de persuasão dirigindo o povo contra seus próprios interesses;  é preciso legislação que previna, que evite que o que aconteceu nas últimas eleições venha a acontecer outra vez.   Não basta apenas punir.   Além disso, a nova legislação terá que ser abrangente, englobando a Internet e aqueles que a usam para fazer sua própria campanha difamatória.   Não se trata de reprimir ou censurar, mas de atribuir um caráter de responsabilidade à informação – calúnia, se comprovada, deve ser proibida e punida severamente.

O artigo abaixo, de Luciano Martins Costa, apresenta uma análise interessante da reação da mídia tradicional ao resultado das últimas eleições.

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A ELEIÇÃO EM QUE A GRANDE IMPRENSA PERDEU

Os principais jornais do país anunciam a vitória da candidata petista Dilma Rousseff como a última obra do presidente Lula da Silva.  O Estado de S.  Paulo é o mais explícito: "A vitória de Lula", diz a manchete.

Luciano Martins Costa, Observatório da Imprensa/Vermelho, 1 novembro 2010


O Globo se arrisca em adivinhações: "Lula elege Dilma e aliados já articulam sua volta em 2014", diz o jornal carioca. A intenção é claramente minimizar o cacife político da presidente eleita. Já a Folha de S.Paulo destaca o fato de o Brasil ter escolhido a primeira mulher e “primeira ex-guerrilheira" para a Presidência da República.

Lendo as edições do domingo e de segunda-feira (1/11), alguém que estivesse desembarcando no Brasil depois de três meses de viagem nem chegaria a desconfiar que a imprensa havia sido, até a véspera, protagonista das mais ativas na campanha eleitoral.

Desejo manifesto
Os jornais inauguram a semana pós-eleitoral com cara de jornais, não dos panfletos em que se transformaram nos últimos meses. Cada um conforme seus recursos, os diários tentam interpretar a vontade das urnas e adivinhar o que virá a ser o futuro governo. No entanto, alguns pontos em comum podem ser ressaltados.

A chamada grande imprensa procura afirmar que a oposição, apesar de derrotada na eleição principal, cresceu em número de eleitores, mesmo perdendo na maioria dos estados. A maioria feita pela candidata governista no Congresso Nacional seria equilibrada pela eleição de governadores oposicionistas nos estados mais populosos, segundo interpretam os jornais.

Como sempre, o viés ideológico direciona as escolhas da imprensa, que perdeu a disposição para arriscar opiniões fora da sua própria caixinha de convicções. Basta lembrar como foi a manada de adesões ao governo central nas duas eleições do presidente Lula da Silva para colocar em dúvida as afirmações dos jornais sobre a suposta solidez do bloco oposicionista.

Com o histórico do adesismo que marca a República desde a redemocratização, parece arriscado demais apostar em configurações de forças políticas com base no resultado quente das urnas. No caso, essas análises representam muito mais a manifestação dos desejos da imprensa, de não parecer assim tão derrotada pela realidade da votação, do que a expressão de uma visão realista do resultado eleitoral.

Dissimulando a derrota
Os jornais citam o desgaste que foi produzido nas bases da oposição por conta de divergências entre o candidato derrotado José Serra e o senador eleito de Minas Gerais Aécio Neves, considerado por analistas do próprio PSDB como o grande trunfo desperdiçado pela campanha oposicionista.

Sobram indícios de que os dois personagens criaram um fosso intransponível entre si, e que daqui para frente a consolidação da carreira de Aécio Neves implica a diminuição do papel a ser exercido por Serra.

Some-se a isso o fato de que Serra também tem divergências com o governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin, para se construir uma análise muito menos animadora sobre o seu futuro como líder da oposição. Além disso, ainda resta dentro do armário o esqueleto do suposto dossiê que teria sido montado no período da escolha do candidato do PSDB, e que teve como objetos de bisbilhotices pessoas ligadas a José Serra.

Serra perdeu em Minas Gerais e ninguém sabe quantos desses votos foram para a candidata oposicionista como vingança dos mineiros pela maneira como ele passou por cima das ambições políticas de Aécio Neves.

A imprensa também destaca que o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, anda fazendo planos para se descolar de seus padrinhos políticos e prepara o lançamento de um novo partido, montado com os restos da liderança do peemedebista Orestes Quércia no estado.

Assim, em poucas linhas, pode-se observar que os principais jornais do país, que tiveram praticamente todo o final de semana para preparar suas análises pós-eleitorais, perderam a oportunidade de surpreender o eleitor explorando as amplas possibilidades que se armam nas relações políticas com a vitória de uma candidata que nunca havia disputado uma eleição, cuja biografia tinha tudo para reduzir suas chances de vitória – dado o conhecido conservadorismo da imprensa e de grande parte do eleitorado – e que foi vítima de uma campanha sórdida e preconceituosa.

Não há como dissimular o papel da imprensa tradicional no jogo sujo que termina. Também fica difícil disfarçar o ressentimento da imprensa com o resultado das urnas. Não há análise, por mais que se pretenda distanciada, que esconda o fato de que a imprensa tradicional foi fragorosamente derrotada nestas eleições.

9 de nov. de 2010

Sobre a erradicação da miséria no Brasil

Medidas 'desenvolvimentistas', nos moldes capitalistas, não irão libertar o Brazil da miséria.  Para erradicar a miséria, precisamos dar passos ainda mais largos do que aqueles dados até agora pelo governo do PT;  precisamos nos libertar do controle exercido pelo capital especulativo de brasileiros e de estrangeiros.  Dilma Rousseff sabe disso.  Portanto, quando a futura Presidente diz pretender acabar com a miséria, ela pode estar se referindo à sua intenção de facilitar a implantação de mudanças que já estão clamando seu lugar na história.  Afinal, o povo votou nessas mudanças!

O artigo abaixo, escrito pelo economista Paulo Passarinho, discute alguns dos pontos que deverão ser levados em conta para que mudanças significativas aconteçam.  Tais mudanças não irão significar, de imediato, o fim da miséria, como ele mesmo afirma, mas certamente estaremos no caminho certo.  O conteúdo desse artigo é complicado para o leigo;  mas, para que se tenha uma idéia, ainda que vaga, da dimensão do problema que o governo terá que enfrentar se quiser genuinamente fazer a mudança esperada pela maioria dos brasileiros, sua leitura é recomendada.

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Sem mudança do modelo econômico, promessa de erradicação da miséria é um engodo

Paulo Passarinho, Correio da Cidadania, 05-NOV-2010

"Rei morto, rei posto".  A frase, pronunciada por Lula, foi dita pelo atual presidente para marcar a mudança que a vitória de Dilma Rousseff representa, e para afastar as especulações sobre opiniões que indicam que ele, Lula, poderia se comportar como uma espécie de "sombra" da presidente eleita.

É um esclarecimento importante, pois de fato as responsabilidades de Dilma são enormes, especialmente em decorrência da herança que Lula lhe deixa.

A principal questão emergencial a merecer a atenção de Dilma é a valorização do Real.  Lula e Dilma, na recente entrevista coletiva que concederam, jogaram a responsabilidade pela tal "guerra cambial" nas costas dos Estados Unidos e da China.  E afirmaram apostar na próxima reunião do G-20, em Seul, para procurar encontrar uma saída negociada e coordenada para a desvalorização acentuada do dólar em relação às moedas de grande parte dos países.

Dilma foi além, e já declarou ser contrária a medidas unilaterais que desvalorizam artificialmente as moedas.  A alternativa, em estudo pelo governo, caso a reunião do G-20 fracasse, seria a adoção de mecanismos de antidumping – de defesa comercial.

Seria bom à Dilma, e ao país, refletir com um pouco mais de profundidade sobre esse assunto.  Até porque isso lhe permitiria repensar o conjunto da política econômica.

Valorização de nossa moeda e juros reais elevados são características quase estruturais do modelo implantado na economia brasileira desde os anos noventa.  Apostar na abertura financeira, e ampliá-la, como feito por Lula, em um regime de câmbio flutuante, subordina a política monetária, e a política fiscal, aos humores e pressões do capital especulativo de brasileiros e de estrangeiros.  Em um contexto de alta liquidez externa e de incertezas generalizadas nos países centrais do capitalismo, a periferia dócil e garantidora de lucros fáceis é mais do que uma opção de investimento, é uma verdadeira salvação.  Para os capitais externos, bem esclarecido.  Pois, para nós, brasileiros, a conta vai ficando insuportável.

O problema é que Dilma já repetiu o mantra mais ao gosto da piranhagem financeira: câmbio flutuante, equilíbrio fiscal e controle da inflação.  Rei morto, rei posto, e a mesma dinastia a comandar os nossos destinos...

Enquanto a nossa presidente eleita aposta em soluções para o problema da nossa moeda em fóruns multilaterais, os Estados Unidos, de forma soberana, continuam a assumir medidas voltadas ao seu próprio interesse.  É o caso, por exemplo, do anúncio feito pelo Banco Central americano de comprar US$ 600 bilhões em títulos, com o objetivo de irrigar a sua economia com mais dinheiro.  Independentemente de ser essa uma medida adequada aos dilemas da maior economia do mundo, o problema é que possivelmente teremos uma pressão ainda maior de entrada de recursos em dólar, por aqui.  E isso fará com que nossa moeda continue em sua trajetória de valorização...

Portanto, pensar em medidas unilaterais é uma necessidade premente para o país, caso Dilma queira enfrentar esse problema.

Mas, há outras armadilhas.  Equilíbrio fiscal, por exemplo, poderia ser buscado através de um processo gradativo, mas contínuo e decidido, de redução das taxas reais de juros.  Porém, essa hipótese – da redução da taxa de juros –, dentro da visão defendida até agora pelo governo, fica condicionada à prévia redução dos gastos públicos, especialmente dos gastos correntes, para que se abra espaço para a manutenção e ampliação dos gastos em investimentos.  "Mas, recusamos as visões de ajustes que recaem sobre os programas sociais, os serviços essenciais à população e os necessários investimentos", afirmou Dilma.  Cabe, então, a pergunta: onde poderiam ocorrer esses ajustes?  Através de uma nova rodada de contra-reformas na área previdenciária?  Em algum mecanismo voltado para a definição de metas de expansão dos gastos correntes, em particular nas despesas com o pagamento dos vencimentos do funcionalismo?  Afirma-se que o governo Lula já recuperou as pesadas perdas salariais impostas aos servidores pelo governo FHC.  Entretanto, além desse fato não ser confirmado para muitas categorias, há ainda a necessidade de se dar seqüência à justa política de novos concursos, colocada em prática pelo atual governo.  Como ficariam, então, os tais cortes de despesas que poderiam viabilizar, posteriormente, a redução da taxa de juros?

A saída poderia se situar na manutenção das atuais taxas de crescimento da economia, implicando elevação das receitas tributárias e uma maior folga orçamentária.  Contudo, nesse ponto, voltamos ao problema externo.  A atual dinâmica de crescimento da economia – com abertura financeira, câmbio flutuante, e altas taxas de juros – impõe a valorização do Real, o barateamento e crescimento das importações, e a perigosa redução do saldo comercial do país.  O Brasil volta a ficar refém dos capitais externos para fechar as suas contas com o exterior, com mais desnacionalização do parque produtivo, maior participação de capitais especulativos na dívida pública e em bolsa de valores, e maior vulnerabilidade externa frente a qualquer turbulência financeira que estabeleça uma abrupta reversão de expectativas e uma rápida saída desses capitais para fora do país.

Por isso, caso Dilma queira superar a herança de Lula, enfrentar o que o seu criador não topou seria inevitável.

Para erradicar a miséria, conforme o seu desejo, e gerar empregos de qualidade no país, com ênfase em um projeto que de fato se assente em uma economia doméstica diversificada e sob comando de setores brasileiros – única forma de internalizarmos um processo virtuoso de geração de tecnologia e conhecimento científico, sob nosso controle, e com o aporte educacional necessário para um processo dessa natureza –, somente com coragem para mudar o atual modelo econômico.

Para tanto, Dilma precisaria substituir o atual comando do Banco Central, adotar mecanismos de controle sobre a movimentação de capitais externos, abolir a política fiscal baseada nas metas de superávit primário e abrir espaço no orçamento público, através da redução da taxa de juros e da reestruturação dos termos de refinanciamento da dívida pública interna, para o aumento dos gastos públicos, em particular dos investimentos.

Poderia Dilma assumir um programa dessa natureza?  Valter Pomar, dirigente nacional do PT, e líder de uma de suas correntes de esquerda, acredita que Henrique Meireles esteja com os seus dias contados à frente do Banco Central.  Em entrevista ao Programa Faixa Livre, ele declarou que Dilma irá compor uma equipe econômica mais homogênea, mais à feição da linha desenvolvimentista, existente hoje, segundo o próprio Pomar, na área do ministério da Fazenda.

Seria um primeiro passo, ainda que insuficiente.  O problema não se situa apenas nos quadros dirigentes, mas na opção política a ser adotada.  E, nesse caso, exorcizar o mantra financista, a verdadeira herança maldita que nos sufoca como nação independente, seria o mais relevante.

Paulo Passarinho é economista e membro do Conselho Regional de Economia do Rio de Janeiro.